Setor elétrico é o mais endividado

As empresas elétricas estão passando por uma situação patrimonial delicada. O problema precisa ser levado em conta pelo investidor em bolsa, uma vez que pode influenciar a rentabilidade das ações nesse setor. As dívidas do setor totalizam R$ 46 bilhões, o equivalente a 24,5% do endividamento de todas as empresas de capital aberto, de acordo com levantamento realizado pela Economática, empresa de informações para análise de mercado sediada em São Paulo. O setor de telecomunicações e o de siderurgia e metalurgia representam, respectivamente, 18,7% e 14,1% desse total, cujo cômputo foi feito com base nas 268 companhias listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).Na avaliação do analista André Segadilha, do Banco Brascan, o endividamento do setor pode ser considerado normal, já que se trata de um segmento de capital intensivo, em que o financiamento de máquinas e equipamentos é muito elevado. Mas Segadilha ressalta que os números estão acima da média dos dez últimos anos. O que torna a situação destas empresas especialmente desconfortável é a queda de faturamento, combinada com o endividamento. Segundo reportagem de Renée Pereira, a retração do consumo nos últimos meses, resultado do racionamento e da deterioração do cenário econômico, tem se refletido diretamente no faturamento do setor. E a soma dessas variáveis tem fortalecido os questionamentos sobre a capacidade das companhias de honrar seus compromissos, principalmente porque suas controladoras no exterior já avisaram que não vão mais injetar dinheiro no Brasil para socorrer as subsidiárias.O principal motivo é que as matrizes também estão em situação delicada. Um exemplo que ilustra a situação é a AES Corp, controladora da Eletropaulo, cuja saúde financeira vem se deteriorando a cada dia. A empresa americana já declarou que pretende se desfazer de ativos na América Latina e não vai aportar recursos no Brasil. Enquanto isso, a Eletropaulo tem sérias dificuldades para amortizar parte da sua dívida de curto prazo que vence em agosto e setembro deste ano, num total de US$ 600 bilhões segundo dados da consultoria Standard & Poor´s. A concessionária, que tem o maior mercado do país com 4,7 milhões de clientes na região metropolitana de São Paulo, alega redução no consumo a níveis inferiores aos de 1999. Mesmo o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 970 milhões, referente às perdas do racionamento, não será suficiente para resolver o problema, afirmam analistas.Felipe Leal, analista da Merrill Lynch, lembra que um dos fatores que contribuíram para aumentar o endividamento foi a alta do dólar, já que boa parte das empresas têm dívida em moeda estrangeira. A companhia com maior participação de dívida em dólar é a Cesp, com 81% de seus débitos. A companhia também deverá honrar, ainda este ano, dívidas estimadas em R$ 600 milhões. A empresa deverá usar debêntures para o pagamento

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