Setor elétrico exige atenção de Lula em novo mandato

O setor elétrico é, dentro da área de energia, o que mais exige alterações e aperfeiçoamentos em suas regras num novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo especialistas consultados pela Agência Estado. Dentre os ajustes necessários apontados, está principalmente a definição da postura do governo com relação a novos investimentos para garantir a geração de energia. Neste ponto, os analistas possuem opiniões divergentes.Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Edmar de Almeida, é necessária uma ação mais estatizante, com a suspensão das regras que impedem a Eletrobrás de elevar seus investimentos em novos projetos, obrigando-a a ser sócia minoritária. "A única empresa que pode garantir investimentos em projetos do porte do Complexo do Rio Madeira ou Belo Monte, essenciais para garantir a geração nos próximos anos, seria a Eletrobrás, com seu poder de estatal. Isso tem que ser viabilizado", disse.Já o presidente do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), acredita que a melhor saída para garantir atendimento da demanda crescente de energia elétrica, seria uma melhor "remuneração" para investidores privados. "Os preços têm que refletir as condições do mercado. Não podem estar abaixo, porque então não há competitividade justa, e, sem esta garantia de concorrência isonômica o setor não tem condições de crescer", argumentou.Para ele, os projetos Belo Monte e o complexo do Rio Madeira "não estão em sua hora". "Existem projetos mais simples de serem implementados, sob o ponto de vista ambiental, e que podem garantir o mesmo volume em Megawatts (MW) gerados num prazo mais curto de tempo. Basta para isso ter preço. Com condições remuneradoras, os investidores aparecem", avaliou. Ainda para Pires, é preciso que neste novo mandato o governo tenha "menos arrogância e mais pragmatismo". "Espero que eles não queiram mudar tudo de novo como fizeram no primeiro mandato, que não venham com idéias mirabolantes e que não continuem com políticas populistas, especialmente no setor de combustíveis".O consultor Roberto D´Araújo, do Instituto Ilumina, acredita que o aumento das tarifas no setor elétrico é a principal certeza deste próximo governo. "Enquanto as estatais esperam taxas de retorno de até 10% em seus investimentos, os investidores privados buscam no mínimo 15%. Isso indica um novo patamar de recuperação de gastos, resultado de uma mudança brusca implementada nos últimos anos, que fez com que o setor passasse de um sistema altamente cooperativo para altamente competitivo", avaliou. Em sua opinião, há a necessidade neste novo mandato de se buscar soluções para aperfeiçoar o que foi implementado, como por exemplo a elaboração de uma nova fórmula de calculas os custos marginais dos empreendimentos leiloados. "É preciso reestudar esta maneira para melhorar a competitividade", disse D´Araújo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.