Setor elétrico precisa de investimento privado, diz Pinguelli

O presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, avaliou hoje que, caso o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha a obter êxito em sua tentativa de gerar "crescimento econômico intenso", o Brasil terá demanda de expansão do setor elétrico na ordem de 5% ao ano, o que exigirá investimentos mínimos de R$ 10 bilhões e máximos de R$ 15 bilhões. "A Eletrobrás tem condições de investir R$ 5 bilhões ao ano e dependeremos de investimentos privados, caso esse desejado crescimento econômico intenso venha a ocorrer", disse Pinguelli Rosa, ao participar de evento na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Segundo o executivo, a estatal investirá este ano R$ 3,5 bilhões nas áreas de geração e transmissão de energia e repassará à União R$ 1,5 bilhão para a composição do superávit primário.EntravesDe acordo com Pinguelli Rosa, o maior entrave para atração de investimentos privados no setor elétrico hoje está na sobra de eletricidade verificada no mercado brasileiro, o que desestimula o ingresso de investidores, além de problemas de marco regulatório. "Há dificuldade de saber onde investir, mas precisamos tomar decisões de longo prazo porque os empreendimentos elétricos demoram no mínimo 5 anos, para hidrelétricas, e 3 anos para termoeléctrica", comentou. Para incentivar o ingresso do setor privado, o presidente da Eletrobrás afirmou que o governo está seguindo o exemplo adotado na área de petróleo e, "pragmaticamente", adota a chamada Parceria Público e Privado (PPP). "Há viabilidade do PPP no setor elétrico, um modelo que funciona bem no setor de petróleo e que permitiu o alavancamento da Petrobrás em investimentos e descobertas importantes", justificou.DescobertasO executivo destacou ainda que, após a recente descoberta do mega campo de gás natural na Bacia de Santos, esse combustível poderá provocar um novo papel na matriz energética brasileira. "A exploração da nova bacia levará no mínimo cinco anos, mas poderá mudar a configuração da nossa matriz energética. O gás natural da Bolívia é caríssimo, por conta da cotação em dólar e do preço internacional do petróleo, e inviável para a geração elétrica. Talvez agora, com o gás de Santos, o uso de termoeletricidade possa mudar", estimou.

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