Setor eletroeletrônico vê déficit comercial ainda maior em 2008

O déficit da balança comercial daindústria eletroeletrônica deve superar os 20 bilhões dedólares em 2008, cifra 43 por cento superior ao saldo negativorecorde registrado este ano pelo setor. O câmbio pesou nas vendas externas, mas também alimentou asimportações para atender ao mercado interno aquecido. Em termosgerais, foi a demanda doméstica que assegurou faturamento 8 porcento maior para essa indústria em 2007, chegando a 112,4bilhões de reais. A diferença entre exportações e importações, recorde de14,4 bilhões de dólares este ano, ficou 38 por cento além dovolume de 2006. As exportações permaneceram estagnadas em poucomais de 9 bilhões de dólares, enquanto as importações tiveramcrescimento médio de 20 por cento, alcançando 23,7 bilhões dedólares. "Nos últimos três anos, este déficit cresceu cerca de 100por cento e a tendência é de que continue essa trajetória, sefor mantido o crescimento da economia e as difíceis condiçõesde competitividade do país", informou a Associação Brasileirada Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) no balanço anual,divulgado nesta quinta-feira. A associação trabalha com cenário de crescimento econômicode 4 por cento da economia brasileira em 2008 e de manutençãoda taxa de câmbio no patamar atual. TRANSIÇÃO TECNOLÓGICA As novas tecnologias também são um vilão da balançacomercial do setor. A avaliação da Abinee é de que tem havidouma "desagregação de valor local" em produtos comocomputadores, televisores e até telefonia celular. Asimportações nas áreas de telecomunicações e informáticacresceram 56 por cento e 30 por cento, respectivamente. A expansão do mercado de notebooks no país é um bomexemplo. Com uma indústria de componentes muito reduzida, aindústria brasileira agrega algum valor ao computador de mesa(desktops), mas menos ao notebook. E é justamente nesse segmento de notebooks que se verificaa maior taxa de crescimento no mercado de computadores. Em2006, foram vendidos 8,2 milhões de PCs no Brasil, sendo apenas8,2 por cento notebooks. Neste ano, do total de 10,1 milhões,21 por cento já eram notebooks. Para 2008, a estimativa é de11,8 milhões de unidades, sendo 32 por cento notebooks. O setor de utilidades domésticas também enfrenta uma"transição tecnológica": do velho televisor de tubo de imagempara as telas de plasma e LCD, com baixa ou nenhuma agregaçãode valor pela indústria local. De acordo com Benjamin Sicsú, diretor da Abinee evice-presidente da Samsung, a progressão de vendas de TVs deplasma e LCD foi de 300 mil em 2006 para um milhão este ano echegará a dois milhões em 2008 no país. Outra mudança, a adoção da tecnologia digital para a TVaberta, foi responsável em grande parte pelo faturamentoestagnado na área de utilidades domésticas este ano, com quedana venda de televisores depois de um ano forte decorrente daCopa do Mundo de 2006. "Considerando-se a mudança de tecnologia, ter tido o mesmofaturamento é um bom desempenho", comentou o presidente daAbinee, Humberto Barbato. O faturamento da área de utilidadesdomésticas foi de 16,5 bilhões de reais no ano, com expectativade expansão de 10 por cento em 2008.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.