Setor externo foi muito além do previsto em 2011

Análise: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h07

É possível dizer, a dez dias do fim do ano, que a maior surpresa do ano na economia - e surpresa positiva - veio do setor externo. Mesmo que dezembro repita, como projetado pelo Banco Central, o déficit histórico mensal registrado em novembro, a balança em transações correntes apresentará, no acumulado do ano, números muito melhores do que os estimados no início de 2011.

Quando o ano começou, os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central previam um saldo comercial de US$ 8 bilhões e um déficit em contas correntes de US$ 68 bilhões. O próprio Banco Central projetava um saldo comercial de apenas US$ 11 bilhões. Na realidade, a balança comercial fechará 2011 com um saldo 3,5 vezes maior e o déficit em transações correntes ficará 22% abaixo do estimado.

Num ano em que a taxa de câmbio rodou bastante valorizada em relação ao dólar nos três primeiros trimestres e num ambiente de crise grave na economia global, a explicação para o surpreendente desempenho das contas externas brasileiras tem um nome e uma procedência. O nome é commodities e a procedência, China.

A China, coadjuvada de longe por outros emergentes, manteve aquecido o mercado internacional de produtos básicos. Se, de um lado, esse fato significou, para o Brasil, pressões inflacionárias, de outro, foi decisivo para alavancar as receitas de exportação. Ao término de 2011, três em cada quatro dólares obtidos com a venda de mercadorias brasileiras ao exterior vieram de commodities.

Encolhimentos na participação dos manufaturados na pauta de exportação, reveladores de problemas estruturais de competitividade, não deveriam deixar de preocupar. Agregar valor aos produtos é crucial também no comércio exterior, para evitar termos de troca desfavoráveis.

Isso é verdade mesmo quando, em ambiente global conturbado, os déficits em conta corrente se mostram manejáveis, mantendo-se abaixo de 2,5% do PIB. Como ocorrerá neste ano e, segundo as previsões, também em 2012, apesar da redução de quase 20% projetada no saldo comercial.

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