Carlos Eduardo de Quadros
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Déficit nas contas externas é o menor para outubro desde 2010

Queda da atividade econômica, com recuo de importações e viagens, e alta do dólar explicam a melhora do setor externo; investimentos voltam a ser suficientes para cobrir rombo

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues , O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 11h05

Atualizado às 12h50

BRASÍLIA - Após um rombo de US$ 3,076 bilhões em setembro, o déficit das transações correntes somou US$ 4,166 bilhões em outubro, conforme revelou nesta quinta-feira, 26, o Banco Central. Trata-se do menor déficit para o mês desde o início da série histórica, em 2010. O rombo também é 55% menor do que o registrado no mesmo mês de 2014 (-US$ 9,319 bilhões).

“Os déficits apresentam sazonalidade e em outubro temos em geral um resultado inferior na balança comercial, por causa das exportações de produtos agropecuários que se concentram no primeiro semestre. Além disso, temos concentrações de gastos de viagens, juros, e remessas de lucros e dividendos em períodos específicos. Por isso sempre comparamos meses específicos”, explicou o chefe-adjunto do departamento econômico do Banco Central, Fernando Rocha. 

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 1,879 bilhão em outubro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,799 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária em US$ 3,523 bilhões.

De acordo com Rocha, o déficit acumulado nos primeiros dez meses do ano, de US$ 53,475 bilhões, também é o menor da série. Ele destacou que a redução do rombo externo este ano já passa de um terço em relação ao mesmo período do ano passado.

“O resultado mostra o ajuste pelo qual o setor externo está passando este ano. Neste momento de ajustes na economia, o setor externo dá uma contribuição positiva, com menor déficit nas transações correntes”, completou. Rocha destacou que a queda decorre da redução do ritmo da economia, da alta do câmbio e da nova estrutura dos passivos externos. 

A redução de US$ 29,9 bilhões no déficit corrente ao longo dos primeiros dez meses de 2015 é distribuída em todas as rubricas principais das transações correntes. Rocha destacou a virada nos resultados da balança comercial e a redução nos déficits de serviços e lucros e dividendos. "Esse ajuste nas transações correntes é bem forte e disseminado", completou.

Na conta de serviços, Rocha destacou que os déficits nas contas de viagens e transportes são os menores desde o início da série histórica do BC, de 2010. "A conta de transportes tem relação com o desempenho comercial, e a conta de viagens tem uma redução ainda mais expressiva", citou.

O chefe-adjunto também destacou que o ingresso líquido de US$ 6,712 bilhões na conta de Investimentos Diretos no País (IDP) em outubro foi a maior do ano. Ele destacou que tanto no mês como no acumulado do ano esses investimentos são suficientes para compensar o déficit de transações correntes. “Retornamos àquela situação na qual o IDP financia integralmente o déficit em transações correntes. É a primeira vez no ano que isso acontece”, acrescentou.

Já no acumulado dos últimos 12 meses até outubro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 74,173 bilhões, o que representa 4,02% do Produto Interno Bruto (PIB).

Viagens internacionais. Mesmo com a alta do dólar ante o real acima de 40% neste ano, a conta de viagens internacionais continuou a registrar déficit em outubro. No mês passado, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil deixou um saldo negativo de US$ 549 milhões. É verdade, porém, que o ritmo diminuiu já que em igual mês do ano passado, o déficit nessa conta era de US$ 1,634 bilhão (ou 66% maior).

Tanto o déficit de outubro (US$ 549 milhões) como o acumulado do ano (US$ 10,355 bilhões) são os menores da série histórica para o mês e para o período do ano.

O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,002 bilhão em outubro. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 453 milhões no mês passado. 

Rocha adiantou que em novembro, até o dia 24, o déficit na conta de viagens é de US$ 424 milhões, sendo US$ 368 milhões em receitas e US$ 792 milhões em despesas. "O resultado pode ser menor que o de outubro, ou seja, a trajetória de queda no déficit de viagens continua", avaliou.

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