Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Rombo nas contas externas cai e é o menor para março desde 2007

Déficit ficou em US$ 855 milhões no mês passado, bem abaixo das previsões do BC; recessão e dólar mais caro vêm fazendo as importações caírem em ritmo mais acentuado que as exportações

Reuters

20 de abril de 2016 | 10h57

BRASÍLIA - O Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 855 milhões em março, melhor resultado para o mês desde 2007, alcançado com a ajuda da recessão econômica que vem fazendo a balança comercial ficar sucessivamente no azul. No mesmo mês de 2015, o déficit havia sido de US$ 5,759 bilhões. O valor também é bem inferior à previsão do Banco Central feita há um mês (déficit de US$ 1,7 bilhão).   

O rombo foi mais do que suficientemente coberto pelos Investimentos Diretos no País (IDP), que somaram US$ 5,557 bilhões em março.

Em 12 meses, o déficit em transações correntes caiu a 2,39% do Produto Interno Bruto (PIB), ante patamar revisado de 2,66% em fevereiro.

A melhoria, mais uma vez, foi puxada pelo saldo comercial positivo do País. Com a atividade fraca e o dólar mais caro, as importações vêm caindo num ritmo mais acentuado que as exportações. Em março, isso resultou num superávit de US$ 4,258 bilhões, contra resultado positivo em apenas US$ 154 milhões um ano antes.

Respondendo ao mesmo cenário de atividade em declínio e dólar valorizado, os brasileiros vêm gastando menos fora do País, o que se repetiu em março, quando as despesas líquidas em viagens internacionais caíram 27,3%, a R$ 694 milhões.

Por outro lado, as remessas de lucros e dividendos subiram em março a US$ 1,411 bilhão, contra US$ 1,199 bilhão um ano antes. No primeiro trimestre do 2016, o déficit foi a US$ 7,591 bilhões, bem abaixo do rombo de US$ 25,099 bilhões de igual período de 2015.

Diante do cenário, o BC previu no mês passado que o saldo negativo na balança de pagamentos deverá encerrar o ano em US$ 25 bilhões, contra expectativa anterior de US$ 41 bilhões. Quanto menor a cifra negativa, menor a necessidade de financiamento estrangeiro para a economia num momento em que o Brasil enfrenta uma profunda crise política e fiscal.

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