Setor externo tem influência positiva

Exportações de bens e serviços caíram menos que as importações

Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

Após quatro anos de influência negativa para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), o setor externo, representado pelas exportações e importações de bens e serviços, contribuiu positivamente para o desempenho da economia no primeiro semestre.

Houve queda nas compras e nas vendas externas, mas a colaboração positiva do setor ocorreu porque as importações, registradas com sinal negativo no cálculo do PIB, caíram mais no período (16,3%) do que as exportações (13,1%), o que não ocorria desde 2005.

O vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que esse impacto positivo deverá prosseguir até o fim do ano. Ainda de acordo com a avaliação do especialista, a tendência é que a distância entre o desempenho das exportações e importações diminua gradualmente.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a contribuição do setor externo também foi positiva na comparação do segundo trimestre com o mesmo período de 2008. Nesse confronto, as exportações caíram 11,4%, e as importações recuaram 16,5%.

Castro ressalta que é saudável para a economia que o setor externo contribua positivamente para o PIB, mas o importante é que exportações cresçam acima das importações e não que ambos caiam.

EFEITO NOCIVO

Para o executivo, ainda que a colaboração direta do setor externo para o PIB seja positiva, indiretamente há efeitos nocivos sobre o desempenho da economia, sobretudo nos investimentos. "O recuo das exportações, em especial de manufaturados, eleva a capacidade ociosa das empresas e diminui a necessidade de investimento."

Segundo Castro, o desempenho das importações já começa a melhorar por causa da taxa de câmbio e, no caso das exportações, pode ser que os resultados no fim do ano sejam um pouco melhores por causa da baixa base de comparação do fim do ano passado, no auge da crise mundial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.