Setor financeiro lidera investimento externo no Brasil

Segundo pesquisa do BC, o setor é responsável por 15,1% dos recursos em investimento estrangeiro direto

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA. , O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h10

O setor financeiro é o que mais acumula investimento produtivo no Brasil. Pesquisa realizada a cada cinco anos divulgada ontem pelo Banco Central (BC) mostra que o segmento que inclui bancos, corretoras e financeiras responde por 15,1% de todos os recursos alocados por multinacionais no Brasil em investimento estrangeiro direto (IED). Ao todo, o setor acumula US$ 99,5 bilhões alocados dos US$ 660,5 bilhões em IED registrados em 2010.

Mesmo depois de inúmeras compras e fusões no setor, o segmento financeiro ainda tem diversos nomes estrangeiros na lista dos mais importantes.

Segundo ranking do próprio BC, o espanhol Santander é o maior estrangeiro no Brasil ao ocupar o sexto lugar na lista das maiores instituições do País em ativos. Em seguida, o inglês HSBC aparece em sétimo e o norte-americano Citibank está em décimo. O ranking continua com o alemão Deutsche Bank (13º lugar), o suíço Credit Suisse (14º lugar) e o americano JP Morgan Chase (15º lugar).

Em segundo lugar no ranking dos setores da economia que mais investem no Brasil está o de extração de petróleo e gás. De olho nas perspectivas da produção da camada pré-sal no litoral brasileiro, empresas multinacionais já têm US$ 56,2 bilhões investidos no solo - ou subsolo, nesse caso - do Brasil. O valor representa 8,5% de todo o investimento produtivo no País.

Em terceiro, aparece a indústria de bebidas, que soma US$ 52,3 bilhões - ou 7,9% de todo o IED no Brasil. Outros segmentos com participação importante no investimento produtivo são os de telecomunicações (6,9%), extração de minerais metálicos (6,2%), comércio (5%), metalurgia (5%) e montadoras (4,6%).

Holanda. Por país, a Holanda é o país com mais investimentos produtivos. O berço de empresas como a cervejaria Heineken, o atacadista Makro, a eletrônica Philips e a Unilever, dona de marcas como Omo, Seda e Maisena, é responsável por 25,7% de todo o IED no Brasil - cerca de US$ 169,5 bilhões. Os dados holandeses, porém, são "contaminados" porque o país conta com regras tributárias diferenciadas, o que atrai capital estrangeiro de outros países e que vêm ao Brasil por triangulação - entre a origem, Holanda e Brasil.

Atrás da Holanda, os Estados Unidos aparecem como segundo maior investidor no Brasil, com US$ 125,4 bilhões aplicados, cifra que corresponde a 19% do estoque de investimentos. Da maior economia do mundo, há uma série de empresas com negócios no Brasil, com especial destaque às do setor automotivo (General Motors e Ford).

Em terceiro lugar, aparece a Espanha, com US$ 79,4 bilhões em investimentos (12% do total). Em seguida, aparecem Luxemburgo (5% do estoque de investimento), França (4,6%), Japão (4,2%) e Reino Unido (3%). A China, grande compradora de produtos brasileiros e que atualmente tem demonstrado interesse em investir no Brasil em segmentos diversos como eletrônicos e montadoras, não aparece na lista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.