Setor financeiro pesa, Bolsa ignora exterior e tem baixa de 0,36%

Cenário:

ALESSANDRA TARABORELLI , O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h08

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) descolou-se totalmente do mercado acionário internacional ontem e amargou mais um dia de perdas. O Ibovespa recuou 0,36%, aos 61.750,38 pontos, puxado principalmente pelo setor bancário.

O pessimismo com o setor financeiro começou após o Itaú Unibanco, durante teleconferência para apresentação dos resultados do primeiro trimestre do ano, informar que aumentaria as provisões para devedores duvidosos referentes ao segundo e ao terceiro trimestre de 2012. Isso fez disparar um sinal de alerta em todo o setor, a tal ponto que o IFNC - índice da Bovespa que reúne apenas ações do setor financeiro - desabou 2,59%, em meio aos receios de que a inadimplência pode se tornar um problema maior para os bancos.

Das 17 ações que compõem o IFNC, apenas duas subiram: BM&FBovespa (alta de 0,74%) e Cielo (elevação de 0,91%). O recuo do setor foi capitaneado pelas ações do Itaú Unibanco (baixa de 5,88%) e da Itaúsa (queda de 5,66%), que também lideraram as quedas do Ibovespa. Juntos, esses dois papéis movimentaram cerca de R$ 1,240 bilhão, do total de R$ 7,646 bilhões do Ibovespa.

À tarde, o Ibovespa reduziu as perdas, após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) divulgar projeções sobre a economia norte-americana. Em entrevista, o presidente da instituição, Ben Bernanke, deixou em aberto a possibilidade de uma nova rodada de estímulos para a economia, por meio de injeção de liquidez, algo que o comunicado divulgado mais cedo pelo Fed, quando a instituição anunciou que manteria o juro do país entre zero e 0,25% ao ano, havia deixado de lado.

As ações da Vale também contribuíram para o recuo do Ibovespa, com queda de 1,45% nos papéis ON e de 1,46% nos PNA. A mineradora, porém, divulgou seu balanço trimestral apenas após o fechamento do mercado. Petrobrás ON recuou 0,59% e a ação PN teve baixa de 0,52%.

No câmbio, a fala de Bernanke tirou a força do dólar no exterior e no Brasil, onde a moeda dos EUA ficou estável, cotada a R$ 1,8830 no balcão. Mais cedo, o Banco Central fez leilão de compra de dólares à vista, enxugando o fluxo positivo da manhã e reconduzindo a divisa ao terreno positivo.

Na renda fixa, o grande evento da semana está marcado para hoje, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) divulga a ata de sua última reunião. Ontem, as taxas curtas dos contratos futuros de juros ficaram próximas do ajuste anterior, à espera do documento.

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