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Setor imobiliário dribla o impacto da pandemia

Negócios voltados para o compartilhamento de apartamentos estão entre os que tiveram destaque em 2020

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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28 de dezembro de 2020 | 13h54

O mercado imobiliário brasileiro passa por um processo de transformação. A redução dos juros para o financiamento permitiu que mais pessoas tivessem acesso à casa própria. Paralelamente, novos players no mercado dão maior acesso à moradia para mais famílias. O novo coronavírus, no entanto, freou os novos negócios no início da pandemia, no primeiro semestre deste ano. Mas logo o setor de vendas, aluguel e compartilhamento de imóveis pegou tração e recuperou parte do impacto do início de 2020.

De acordo com dados do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), abril foi o mês com menor volume de unidades vendidas, apenas 1.923 imóveis. Aos poucos, os negócios se recuperaram e em outubro 5.552 unidades foram comercializadas. Em outubro de 2019, o setor havia registrado a venda de 4.023 imóveis.

No acumulado de 12 meses (novembro de 2019 a outubro de 2020), as 51.244 unidades comercializadas representaram um aumento de 13,1% em relação ao período anterior (novembro de 2018 a outubro 2019), quando foram negociadas 45.314 unidades.

Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil no terceiro trimestre de 2020 está no mesmo patamar do observado no início de 2007, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Vale destacar, no entanto, que as atividades do setor estão 36% abaixo do pico de 2014, quando atingiram seu melhor nível. Apesar disso, a construção foi o setor que mais gerou empregos no País nos primeiros dez meses deste ano, com a criação de 138.409 vagas formais, de acordo com dados do Ministério da Economia. Esse é o melhor resultado para o período desde 2013, quando a construção gerou 207.787 novas vagas.

“Desde de junho, vimos um forte cenário de retomada e de crescimento, e tudo o que já havíamos planejado e preparado para digitalizar a compra e venda de imóveis virou uma necessidade indispensável”, diz Leonardo Azevedo, sócio e diretor executivo da Apê11. “Estávamos mais preparados que outros negócios que não nasceram digitais como a gente, e acabamos captando até algum crescimento adicional com isso”, diz o executivo.

Outra empresa que também colheu frutos neste ano e está otimista com 2021 é a Housi, plataforma de moradia por assinatura. “Contabilizamos um aumento de 200% no faturamento e 300% no número de unidades contratadas neste ano e temos expectativas bastante otimistas para o ano que vem. A meta é repetir a performance em 2021”, diz Alexandre Frankel, CEO da empresa. Para os locatários, a Housi atua como uma plataforma de moradia por assinatura. Para morar, basta acessar o site da empresa, selecionar o imóvel, o período de estadia e realizar o pagamento via cartão de crédito. Para o investidor, a Housi atua como uma plataforma de gestão patrimonial eficiente.

Atuando como intermediadora de locação e tendo os imóveis compartilhados como principal produto da empresa, a Yuca teve de fazer alguns ajustes em suas operações para atender o novo normal. “A demanda mudou. As pessoas estão dispostas a dividir o apartamento, mas com menos pessoas ou com conhecidos. Fizemos um esforço profundo para juntar pessoas mais parecidas ou com rotinas semelhantes”, diz Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca. Ele conta que a empresa iniciou as operações em janeiro deste ano. Em março, contabilizava 30 quartos entregues e em dezembro já são 200 unidades. “Saltamos de 20 clientes para 130”, destaca o executivo.

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Estávamos mais preparados do que outros negócios que não nasceram digitais
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Leonardo Azevedo, Sócio da Apê11

Alto custo dos insumos pode travar o setor

Na visão dos empresários da construção, conforme sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o principal problema enfrentado no terceiro trimestre do ano foi a falta ou o alto custo de matéria-prima. De acordo com o INCC-Materiais e Equipamentos, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a alta de preços no período de janeiro a novembro foi de 17,72%, a maior do período pós-real. Alguns insumos chegaram a registrar aumentos superiores a 50% no mesmo período.

De acordo com projeções realizadas pela Cbic, a construção deverá incrementar 4% em seu PIB, o que seria o maior crescimento do setor desde 2013 (4,5%). O risco para esse desempenho é o desabastecimento. “Com esse PIB, seriam abertas cerca de 150 mil novas vagas de trabalho. Estamos otimistas, mas conservadores”, disse o presidente da entidade, José Carlos Martins.

“A inflação setorial está muito grande. A mão de obra permanece com preços sem variação, mas os produtos variam de 15% a 70%”, destaca Luiz Henrique Ceotto, sócio da Urbic. “Está até difícil saber qual preço colocar, porque está uma loucura, muita euforia”, destaca o executivo. Ele comenta que o custo total das obras subiu entre 15%, no caso de imóveis populares, e 30%, para as unidades mais sofisticadas. Já a correção no preço final dos imóveis tem sido na faixa de 10%. “Essa diferença comeu parte da margem e boa parte das empresas não vai ter lucro e pode até ter prejuízo neste ano, mesmo com o aumento nas vendas”, comenta Ceotto.

Outra dificuldade enfrentada pelo setor é o desabastecimento. Faltam insumos como vidros, ferro, aço, cimentícios, entre outros. “Estamos com uma obra, por exemplo, que falta tampa de caixa de passagem de esgoto”, destaca o representante da Urbic.

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