Setor perde liderança no BNDES

Com PAC, infra-estrutura ganha espaço no financiamento

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

A indústria deixará de liderar em 2008 os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), perdendo a hegemonia para a infra-estrutura pela primeira vez em cinco anos. As liberações totais do banco em 2008 vão superar R$ 80 bilhões, avalia o superintendente de pesquisas econômicas da instituição, Ernani Teixeira Torres Filho.No ano passado, os projetos industriais ficaram com 40,7% dos financiamentos totais do BNDES, de R$ 64,9 bilhões, e a infra-estrutura recebeu 39,4% desse pacote."Isso não significa que houve queda da indústria. Ela pode registrar redução em um mês, por exemplo. É um novo patamar de investimentos, que vão se manter num nível alto, mas abaixo da infra-estrutura, que teve aceleração", diz o economista do BNDES. Segundo ele, o crescente volume de investimentos no País vai fazer com que a sua participação no PIB aumente dos 17,56% registrados no ano passado para 18,6%.Como conseqüência desse ambiente positivo, Torres Filho conta que o BNDES deverá revisar para cima a estimativa de crescimento do PIB em 2008. Em dezembro, o banco estimava uma expansão de 5,5%, mas na próxima revisão trimestral o economista acredita num índice de até 5,7% de crescimento."Passamos por um período de 20 anos de investimentos ligados à modernização daindústria. Agora, estamos assistindo a uma fase de grandes projetos novos", afirma Torres Filho, referindo-se a uma mudança de perfil dos investimentos industriais constatada pelo BNDES. O economista considera que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) motivou a ultrapassagem dos investimentos industriais pela infra-estrutura, mas lembra que a inflação baixa também contribuiu.O relatório trimestral do BNDES indica que o atual ciclo de investimentos no País deve permanecer nos próximos quatro anos, com média de crescimento anual de 13,2% em obras de infra-estrutura. Já os projetos industriais deverão crescer 12,4% ao ano. Como as liberações de empréstimos do BNDES ocorrem 24 meses após a assinatura do contrato, o relatório usa a diferença entre as aprovações e os desembolsos como termômetro para avaliar o comportamento futuro dos financiamentos.

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