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Setor petrolífero necessita de políticas claras e estáveis, diz analista

Os investidores precisam de políticas claras, transparentes e estáveis para continuar investindo no setor de petróleo e gás no Brasil, segundo observou nesta sexta-feira o diretor de assuntos corporativos da BG South America, José Renato Ponte.Ele citou a questão do licenciamento ambiental como "um ponto muito grave e que está se tornando um monstro", especialmente no que diz respeito à atividade de exploração. "Se avolumam nas mesas do Ibama e órgãos competentes as demandas de licenciamento", afirmou, acrescentando que isso atrasa os programas de trabalho das empresas. "É uma situação que tem que ser encarada politicamente", alertou.Ponte também citou como problema, em seminário de petróleo e gás realizado nesta sexta no Rio pela Câmara Britânica, a exigência de conteúdo local nos empreendimentos do setor. Ele disse que essa é uma política que tem que ser respeitada, mas "as regras dos contratos que assinamos trazem inflexibilidades que às vezes tornam impossível às empresas cumprir essa exigência (do conteúdo local)".O diretor da BG destacou ainda que, na área de distribuição de gás, "o que sentimos falta é de um planejamento integrado". Segundo ele, "trabalhamos para a maximização da demanda de gás e a oferta não acompanhou, o que tem tornado difícil para as indústrias fazer seus planejamentos e cumprir contratos de venda".Ponte alertou várias vezes que o Brasil precisa aumentar o oferta local de gás, inclusive por "uma questão de segurança de suprimento", que revelou-se fundamental após o início dos problemas com a Bolívia. Ele chegou a fazer uma brincadeira com a situação da própria BG em território boliviano quando, ao apresentar a empresa para os participantes do seminário, disse que "temos reservas na Bolívia que não sei se temos, estamos tentando ter"."Forças adversas"Há "forças adversas" para atração de investimentos no setor de petróleo e gás no Brasil e na América do Sul, alertou o diretor da Shell Cone Sul, Marcelo Menicucci. Segundo ele afirmou no seminário de petróleo e gás, há "problemas muito impactantes" para os investidores na região, como um "nacionalismo, sectarismo", num momento em que "a agenda energética se confunde com a agenda política".Menicucci defendeu que Brasil e Bolívia busquem um acordo em torno da questão do gás. "É preciso acordos entre os países da região, não adianta achar que nós vivemos sem a Bolívia ou eles sem nós, somos interdependentes, muitos questionam que hoje somos dependentes da Bolívia, mas se o gasoduto não tivesse sido feito, hoje teríamos problemas com o gás da mesma forma", observou.Ele disse que a Shell mantém o interesse de investir na área de petróleo e gás no Brasil. "Temos interesse em investir, mas as regras precisam ter cara que fazem sentido, que vão ser estáveis por algum tempo para nós, investidores", afirmou.Além da clareza e estabilidade nas regras, Menicucci defendeu também a integração dos mercados de energia elétrica e gás natural. "É preciso operar esse sistema de forma integrada, ninguém vai manter térmicas paradas para despachar um mês a cada cinco anos", disse.Segundo Menicucci, "os investidores estão interessados (no mercado de petróleo e gás no Brasil), é um mercado promissor, mas é preciso estabilidade política e regulatória, um ambiente que tenha segurança institucional e regras que pareçam estáveis".

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 17h49

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