Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Setor pode faturar R$ 157 bi em 4 anos

Estudo indica que negócios como mídias e entretenimento superam recessão e ampliam importância no País; em 2015, segmento cresceu 6%

Ian Chicharo Gastim, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2016 | 05h00

O Brasil, considerado o maior mercado entre os emergentes para a economia criativa, deve movimentar R$ 157 bilhões com esse setor em quatro anos, de acordo com levantamento da consultoria PwC. A pesquisa leva em conta segmentos como mídia e entretenimento, listando atividades tradicionais (televisão, cinema e música), até as considerada de última geração, como os jogos eletrônicos e o grafite - este, hoje também empregado como plataforma para peças publicitárias. Segundo a PwC, esse negócio deve registrar uma taxa anual de crescimento de 6,4% ao ano, até 2020, um desempenho que supera até a previsão mundial para o ramo, que é de 4,4% para o período.

Estimativas como essa motivaram a primeira edição da “Semana Criativa”, evento realizado pelo Estado entre os dias 13 a 16 de setembro, no espaço Une, localizado na zona oeste de São Paulo. As séries de encontros reuniram artistas, empreendedores, executivos, publicitários e especialistas em torno dos avanços, oportunidades e perspectivas do País dentro dessa nova modalidade de negócio. Em um formato inovador, o evento contou com a participação de foodtrucks e de shows musicais que, diariamente, fechavam o ciclo de debates e também de palestras.

Recessão. A atual crise econômica marcou presença em todas as mesas de discussão. No entanto, a conclusão foi de que a economia criativa deve atravessar o momento sem grandes prejuízos. Exemplo disso é que, no ano passado, as atividades de mídia e entretenimento registram crescimento de 6%, ante uma queda de 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo Luciene Gorgulho, chefe do Departamento de Economia da Cultura do BNDES, uma explicação para o descolamento da economia criativa com relação à economia local é que ela apresenta um dinamismo próprio que se mostra anticíclico, motivado principalmente pelo aumento da produção audiovisual e literária. 

“O Brasil disputa um mercado muito significativo, que movimentou R$ 5,5 trilhões no ano passado”, afirma Luciane, “Estamos muito bem posicionados”, afirma.

O sócio da PwC Hercules Maimone concorda. “O mercado que mais cresce e atrai consumidores no mundo é o de entretenimento por conta das facilidades para geração de conteúdo, seja na música, literatura, ou TV”, diz ele. 

Novas mídias. Englobando áreas desde a indústria cultural, publicidade e desenvolvimento de novas tecnologias, a economia criativa produz no Brasil casos bem-sucedidos como, por exemplo, o do grafiteiro paulista Eduardo Kobra, conhecido por trabalhos realistas que reproduzem contextos históricos, como a região central antiga de São Paulo e outros. Trabalhando em parceria com galerias de arte e, sobretudo, com os departamentos de publicidade de marcas famosas, o artista chega a vender telas por € 40 mil. Em meio à recessão no País, Kobra defende que a criatividade é, justamente, uma ferramenta para driblar a crise. 

“Não há cenário melhor para empreender. A criatividade existe para abrir caminhos inovadores, em qualquer circunstância, seja ela boa ou seja ela ruim”, diz ele, que semanas antes da inauguração dos jogos olímpicos do Rio foi contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para pintar um mural de 3 mil metros quadrados na zona portuária da cidade carioca. “Mesmo passando os Jogos, o mural ainda faz bastante sentido para a cidade do Rio de Janeiro, que acaba acolhendo e recebendo pessoas do mundo inteiro”, conta.

Números. Dados de 2014 da Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) apontam que o PIB da economia criativa alcançou R$ 126 bilhões na década de 2003 a 2013. Esse montante em dinheiro é o equivalente a 2,6% do total de riquezas produzidas pelo País no período.

Para entender. Segundo especialistas, um erro que se comete com a economia criativa é relacioná-la apenas aos novos modelos de negócios tecnológicos. Basicamente, integram esse filão todas as atividades que se relacionam com a indústria cultural, moda, internet e a arte – negócios que têm na origem a própria criatividade como uma forma de gerar riquezas. 

O conceito foi desenvolvido nos anos 90 pelo governo inglês, que buscava mapear essa indústria. Mas foi John Howkins (leia mais aqui) o responsável por cunhar o termo e agregar a ele visão de mercado.

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