Setor privado deve ter déficit em transações correntes de US$ 10 bi

O Banco Central estima que o déficit em transações correntes do setor privado brasileiro em 2002 será de US$ 10,1 bilhões. Além disso, as empresas deverão fechar o ano com um déficit de US$ 2,1 bilhões na chamada conta financeira, que agrega operações como o ingresso de investimentos diretos, os empréstimos de médio e longo prazo, os investimentos estrangeiros em carteira entre outras operações financeiras. Essa é a primeira vez que o BC consolida um quadro com projeções exclusivamente para o balanço de pagamentos do setor privado, sem considerar portanto as obrigações externas do governo. A previsão do BC para o resultado do balanço de pagamento como um todo é de um déficit em transações correntes para 2002 de US$ 14 bilhões. Para cobrir o déficit de US$ 12,2 bilhões do setor privado, a estimativa do Departamento Econômico (Depec) do BC é de que a autoridade monetária terá que intervir, no somatório do ano, com US$ 9,4 bilhões. Os US$ 2,8 bilhões restantes virão dos próprios bancos, que terão que aumentar suas posições vendidas para gerar esses recursos. De janeiro a agosto deste ano o déficit externo do setor privado foi de US$ 6 bilhões. Esse buraco foi financiado com US$ 4,5 bilhões de intervenções feitas pelo BC e outros US$ 1,5 bilhão do aumento da posição vendida das instituições financeiras. De setembro até dezembro, a estimativa do BC é que o setor privado terá um déficit de US$ 6,2 bilhões, que serão financiados com mais US$ 4,9 bilhões de intervenções do BC e US$ 1,3 bilhão do aumento de posição dos bancos. Em setembro, as intervenções feitas pelo Banco Central no mercado somam US$ 1,306 bilhão, segundo informou o chefe do Depec, Altamir Lopes. Desse total, US$ 989,5 milhões foram ofertas de linhas de crédito voltadas para o financiamento de exportações. Até o final do ano, o BC se comprometeu a ofertar US$ 2 bilhões nesse tipo de linha de crédito. Considerando-se, portanto, o volume de intervenções já feitas pelo BC em setembro e os cerca de US$ 1 bilhão que deverão, com certeza, serem ofertados ao mercado por meio de linhas de financiamento às exportações, as projeções feitas pelo BC indicam que a autoridade monetária deverá fazer, em média, intervenções de US$ 800 milhões mensais de outubro a dezembro no mercado spot de câmbio. "Essas intervenções serão feitas para atender a necessidade de financiamento do balanço de pagamentos do setor privado", disse Lopes. A previsão anterior do BC era de que seriam necessárias intervenções mensais de cerca de US$ 500 milhões até o final do ano para cobrir essa necessidade de financiamento do setor externo. "Como piorou a taxa de rolagem dos empréstimos feitos pelo setor privado, tivemos que elevar a projeção do volume médio de intervenções até o final do ano", explicou Lopes. Os dados levantados pelo Depec indicam ainda que o BC projeta para este ano, como um todo, uma saída líquida de US$ 8,5 bilhões por meio da CC-5. Em 2001, essa saída totalizou US$ 3,9 bilhões. Para 2003, a projeção do BC é de que o setor privado terá um déficit em transações correntes de US$ 8,2 bilhões, mas que será completamente compensado com um resultado positivo, e no mesmo valor, na conta financeira do setor.

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