Setor privado também quer operar crédito com recursos do FAT

Um briga entre os bancos oficiais e as instituições financeiras privadas está se desenrolando nos bastidores da área econômica do governo. O motivo é a reserva de mercado garantida às instituições federais como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF) para operar os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).O estopim da crise foi o lançamento - feito há cerca de 20 dias pelos ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e do Trabalho, Jaques Wagner - de uma linha de crédito de R$ 200 milhões direcionada à baixa renda para compra de eletrodoméstico com dinheiro do FAT.Pela legislação em vigor, somente as instituições federais podem conceder financiamentos com recursos do FAT. Como o programa de estímulo ao crédito lançado pelo governo utiliza o dinheiro do Fundo, os bancos privados ficaram de fora. Mas, para terem acesso ao financiamento de até R$ 900 para compra de fogões, geladeiras, máquina de lavar e televisores, as pessoas devem abrir uma conta corrente no banco que concederá o financiamento - o que deverá contribuir para o aumento da base de clientes dessas instituições. ?Isso gera uma reserva de mercado para os bancos oficiais que vai de encontro à filosofia de competição do sistema financeiro", critica Valdery Albuquerque, presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) para área de produtos financeiros.Os grandes bancos privados também querem operar nesse mercado e temem perder clientela com o privilégio assegurado aos bancos federais. Segundo Albuquerque, a Febraban já encaminhou formalmente para o Ministério da Fazenda um documento reivindicando que o setor privado também possa operar com os recursos do FAT. A proposta é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seja o agente operador do programa. Por intermédio da instituição, todos os bancos poderiam ter acesso aos recursos.

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