Setor privado tem 60% dos projetos

Índice deverá subir nos próximos anos com retomada das concessões de estradas, portos e energia elétrica

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

31 de maio de 2008 | 00h00

Mais de 60% dos investimentos feitos no setor de infra-estrutura nos últimos dois anos veio da iniciativa privada, segundo estimativas do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon). O presidente da entidade, Luiz Fernando dos Santos Reis, destaca que essa participação deve ganhar ainda mais peso nos próximos anos, com a retomada das concessões nas diversas áreas do setor, como rodovias, portos e energia elétrica. Ele ressalta, porém, que essa estimativa se refere apenas aos investimentos no âmbito federal. Ou seja, não abrange as injeções de recursos dos governos estaduais, que também têm se esforçado para melhorar a infra-estrutura em suas regiões. Somente São Paulo tem cerca de R$ 5 bilhões contratados em novos projetos, como Rodoanel, Metrô e recuperação de estradas vicinais, diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo (Sinicesp), Marlus Renato Dall?Stella.Segundo ele, o programa das vicinais, por exemplo, prevê investimentos de R$ 1 bilhão. "Isso movimenta todo o interior paulista. Temos quase 70 empresas trabalhando nessas obras, que saíram do zero."A expectativa é de que o setor de transportes, seja no âmbito federal ou estadual, tenha um grande avanço nos próximos anos. Com o leilão dos sete lotes de rodovias, ocorrido no ano passado, o estado geral das estradas já começa a apresentar mudanças. Até 2010, deverão ser transferidos para a iniciativa privada mais cerca de 13 mil quilômetros de estradas federais e estaduais, segundo levantamento da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). Isso significa investimentos superiores a R$ 15 bilhões durante o período de concessão, o que dobraria o tamanho da malha rodoviária nas mãos de empresas privadas, hoje de 12,7 mil quilômetros.No setor portuário, há projetos de novos terminais em todo o litoral brasileiro. Só em Santos, maior porto da América Latina, há cerca de R$ 11 bilhões em novos empreendimentos. Entre eles está o Embraport, do Grupo Coimex, e o Brasil Terminal Portuário (BTP) - Alemoa. Isso sem contar o projeto Barnabé-Bagres, orçado em R$ 9 bilhões.Na avaliação dos especialistas, a infra-estrutura também deve ser beneficiada pelo grau de investimento concedido ao País pelas agências Standard & Poor?s e Fitch Rating. "As perspectivas para o setor são muito positivas. Essa onda está apenas no início e tende a se solidificar nos próximos anos, especialmente com o Brasil no foco do investimento global", diz o economista-chefe da Siemens do Brasil, Antônio Corrêa de Lacerda.

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