Setor produtivo condena conservadorismo do BC nos juros

A manutenção dos juros em 16% ao ano, decidida nesta quarta-feira pelo Banco Central, recebeu do setor produtivo as mesmas críticas das outras duas decisões semelhantes, em maio e em junho: excesso de conservadorismo do Comitê de Política Monetária. Dirigentes das entidades sindicais, da indústria e do comércio são unânimes em dizer que a Selic em 16% privilegia os bancos, inibe os investimentos e impede o crescimento da economia, além de não ajudar no combate ao desemprego.Para a CUT e a Força Sindical, faltou coragem ao Copom para reduzir a Selic. Em nota, a CUT diz que o Banco Central " demonstrou mais uma vez a insensibilidade frente à urgência de estimular as atividades produtivas e o crescimento do nível de emprego". A Central diz esperar nas próximas reuniões o Copom "tenha coragem para retomar o processo de queda dos juros". Também em nota, a Força Sindical diz que o governo optou por "privilegiar banqueiros". Para a entidade, "diante dos dados de crescimento a atitude natural seria a de promover uma queda drástica da taxa".As Federações do Comércio do Rio e de São Paulo também divulgaram notas lamentando a decisão e cobrando a queda dos juros bancários, "hoje o maiores do mundo, ultrapassando 45%". Na avaliação da Associação Comercial de São Paulo, o governo é lento em reduzir juros e rápido para aumentar os impostos.Entre os empresários a reação não foi diferente. A nota da Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que, "juntamente com a elevação da carga tributária em 2004, a manutenção de juros elevados atua como elemento inibidor da atividade produtiva, ocasionando danos permanentes ao processo de crescimento sustentado". Já o informe da Federação das Indústrias de São Paulo cobra do governo "uma política explícita e sistemática de compra de reservas e em um esforço obsessivo de corte de gastos públicos e de estímulo aos investimentos".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.