Setor público economiza 16% menos para pagar juros no semestre

Gastos com juros caíram, como porcentual do PIB, mas esforço fiscal diminuiu mais 

31 de julho de 2012 | 11h49

O setor público brasileiro economizou R$ 65,7 bilhões no primeiro semestre deste ano para pagar dívida, informou o Banco Central. O número é 16% menor que os R$ 78,2 bilhões registrados na primeira metade do ano passado.

Os dados se referem ao chamado superávit primário (diferença entre receitas e despesas, sem contar os gastos com juros) do setor público consolidado (União, Estados e municípios). Esses números do BC são mais abrangentes do que aqueles que o Tesouro Nacional divulgou também nesta terça-feira, 31, referentes apenas ao governo central (formado pelo governo federal, Banco Central e Previdência Social).

"É importante frisar que esse movimento já estava previsto, já era, de certa maneira, possível de antecipar o resultado porque tivemos um conjunto de receitas extraordinárias no ano passado que certamente não teríamos no primeiro semestre de 2012", disse Maciel. "Em junho, isso fica bem nítido", disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel.

O superávit primário do setor público no semestre, de R$ 65,7 bilhões, corresponde a 3,8% do PIB (produto interno bruto). No acumulado em 12 meses até junho, atingiu R$ 116,2 bilhões (2,71% do PIB).

O resultado semestral não foi suficiente para o País pagar todos os seus compromissos com juros da dívida pública, que somaram R$ 111 bilhões. A diferença - o chamado resultado nominal - foi portanto deficitária em R$ 45,4 bilhões.

Esse déficit nominal só não foi maior por causa da queda na taxa básica de juros, a Selic, que provocou uma pequena descida na dívida pública como proporção do PIB. No primeiro semestre, o déficit nominal correspondeu a 5,18% do PIB; em igual período do ano passado, essa proporção havia sido de 5,97%.

No ano passado, apesar de o Brasil ter gasto mais com juros da dívida pública, o déficit nominal foi menor porque o setor público havia economizado R$ 12,5 bilhões a mais.

Junho

O superávit primário em junho ficou em R$ 2,8 bilhões, sendo que o governo central e as empresas estatais tiveram saldo positivo de R$ 2 bilhões e R$ 1 bilhão, respectivamente. Já os governos regionais ficaram deficitários em R$ 333 milhões.

Os juros nominais alacançaram 16,1 bilhões em junho, o que gerou um déficit nominal de R$ 13,3 bilhões no mês.

Dívida líquida

A dívida líquida do setor público consolidado alcançou R$ 1,503 trilhão em junho, o que corresponde a 35,1% do PIB, informou o BC. Em maio, a dívida estava em R$ 1,492 trilhão, ou 35,0% do PIB. O BC informou também que a dívida bruta do governo geral alcançou R$ 2,449 trilhões em junho (57,2% do PIB). Em maio, a dívida bruta somava R$ 2,425 trilhões (57,0% do PIB).

Em relação à dívida líquida, a queda acumulada no primeiro semestre foi de 1,3 ponto porcentual do PIB em relação ao verificado em dezembro do ano passado. Segundo o BC, o superávit primário contribuiu sozinho para uma redução equivalente a 1,5 ponto porcentual do PIB. O crescimento da economia levou a uma redução de mais 1,2 ponto porcentual. A desvalorização cambial no período, de 7,8%, ajudou a diminuir a dívida em mais 1,1 ponto porcentual.

No sentido contrário, a apropriação de juros elevou a relação dívida/PIB em 2,6 pontos porcentuais.

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