Setor público gasta R$ 11,713 bi com pagamento de juro

Apesar do superávit primário de R$ 4,046 bilhões obtido nas contas do setor público em fevereiro, o déficit nominal de R$ 7,667 bilhões registrado é pior da série do Banco Central para o mês. Esse resultado negativo foi influenciado pelo peso das despesas com o pagamento de juros da dívida pública. Em fevereiro, essas despesas somaram R$ 11,713 bilhões, valor R$ 1,532 bilhão ao registrado no mesmo mês do ano passado. No bimestre, as despesas com juros já somam R$ 23,988 bilhões, ante R$ 21,148 bilhões nos dois primeiros meses de 2004.As contas nominais levam em conta receitas e despesas, inclusive as com juros sobre a dívida. Os aumentos sucessivos da Selic, a taxa básica de juros da economia, também fizeram com que o saldo da dívida pública como proporção do PIB subisse 1,3 ponto porcentual. Essa pressão foi, porém, compensada por outros fatores, como a queda do câmbio e o bom resultado primário.Mesmo com o aumento do déficit nominal em fevereiro, no bimestre o resultado negativo caiu de R$ 10,902 bilhões (4,18% do PIB), em 2004, para R$ 8,570 bilhões (2,88% do PIB), em 2005. Segundo o chefe do Depec do BC, Altamir Lopes, o déficit nominal de 2,88% do PIB das contas do setor público no primeiro bimestre desse ano é o menor desde 2001. Ele destacou que essa queda ocorreu a despeito da taxa Selic acumulada no primeiro bimestre de 2,62% estar maior do que a dos dois primeiros meses de 2004 (2,37%).Em 12 meses, as despesas com juros até fevereiro subiram para R$ 131,097 bilhões, o equivalente a 7,29% do PIB. Até janeiro, as despesas com juros somavam em 12 meses R$ 129,564 bilhões ou 7,27% do PIB. O motivo dessa elevação é o aumento da taxa Selic, que corrige a maior parte da dívida pública. Até janeiro, a taxa Selic acumulada em 12 meses era de 16,38%. Em fevereiro, esse valor saltou para 16,53%.

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