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Setor público obtém saldo primário recorde no trimestre

Resultado dos primeiros três meses, com economia de R$ 45,9 bi, equivale a um terço da meta fixada para o ano

ADRIANA FERNANDES , FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h04

Mesmo com queda em março, o setor público terminou o primeiro trimestre do ano com economia de R$ 45,9 bilhões para pagar juros da dívida, novo recorde para o período. O valor acumulado equivale a cerca de um terço da meta fixada para o ano.

Nos primeiros três meses, União, Estados, Municípios e estatais elevaram em 17% o chamado superávit primário, o que tem afastado a desconfiança de analistas com o compromisso do governo de cumprimento integral do aperto fiscal neste ano.

Relatório mensal divulgado ontem pelo Banco Central mostra que apenas em março o superávit alcançou R$ 10,44 bilhões. Ainda assim, o resultado ficou 23,2% menor do que o do mesmo mês do ano passado e abaixo das estimativas do mercado, que esperava cifra próxima de R$ 12 bilhões. Apesar disso, o bom desempenho em janeiro e fevereiro garantiu o trimestre positivo.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, explicou que o desempenho das contas públicas em março - que não repetiu os recordes dos dois meses anteriores - reflete especialmente o aumento das despesas. Entre os gastos do governo, pesa a alta do salário mínimo.

"É reflexo das despesas, especialmente o salário mínimo mais alto do que no ano passado. Isso tem impacto nos benefícios sociais, na Previdência", disse Maciel. Ele lembrou, ainda, que o resultado foi influenciado pelo aumento dos desembolsos para investimentos públicos.

Não foi apenas o governo federal que economizou menos no mês passado. Nos Estados e prefeituras, a economia, que girava em torno de R$ 5 bilhões ao mês no primeiro bimestre, caiu para R$ 2,88 bilhões em março.

Juros. O relatório do BC mostra ainda que a despesa com pagamento dos juros em março foi a maior da série para o mês, mas a tendência é de queda. O recuo da despesa será mais visível no segundo semestre, como resultado da Selic e inflação menores. Com isso, o BC prevê que os gastos com juros sairão do nível atual de 5,78% do PIB (acumulado de janeiro a março) para 4,3% do PIB no fechamento do ano.

A alta do dólar ajudou em março a dívida pública a cair para o equivalente a 36,6% do PIB. Como o setor público é credor em dólares, a divida recuou 0,8 ponto só com a valorização da moeda. E poderá atingir 36% em abril, o menor nível da série.

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