Setor público tem superávit primário de R$ 2,6 bi em maio

Um ano antes, as contas do setor público apresentavam um aperto fiscal de R$ 7,5 bi

Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

29 de junho de 2012 | 11h01

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 2,653 bilhões em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. O resultado primário não leva em conta a despesa com os juros da dívida. O resultado ficou abaixo das previsões coletadas pelo AE Projeções, cujas estimativas variavam de R$ 3,7 bilhões a R$ 5,5 bilhões. Em maio de 2011, o setor público havia acumulado superávit primário de R$ 7,506 bilhões.

No mês passado, o governo central acumulou superávit primário de R$ 1,558 bilhão. Todo esse esforço foi gerado pelo governo federal, que terminou maio com saldo positivo de R$ 4,219 bilhões. Por outro lado, a Previdência Social (INSS) amargou déficit primário de R$ 2,573 bilhões e o Banco Central computou perdas primárias de R$ 88 milhões. Os governos regionais encerraram maio com superávit primário de R$ 1,246 bilhão, enquanto as estatais registraram déficit primário de R$ 151 milhões, no mesmo período.

No acumulado de janeiro a maio de 2012, o setor público registra superávit primário de R$ 62,865 bilhões, o equivalente a 3,55% do PIB. O esforço é menor que o visto em igual período de 2011, quando o saldo havia acumulado R$ 64,820 bilhões, ou 3,93% do PIB. Nos últimos 12 meses encerrados em maio, o setor público consolidado registra superávit primária de R$ 126,756 bilhões, ou 2,97% do PIB.

Dívida líquida

A dívida líquida do setor público recuou de 35,7% do PIB em abril para 35,0% do PIB em maio. No mês passado, a dívida totalizava R$ 1,492 trilhão. O BC informou também que a dívida bruta subiu de 56,7% do PIB em abril para 56,9% do PIB em maio (R$ 2,425 trilhões).

Em relação à dívida líquida, a desvalorização cambial de 6,9% no mês passado contribuiu para uma redução de 1 ponto porcentual do PIB nesse indicador, o equivalente a R$ 42,2 bilhões.

No ano, a relação dívida líquida/PIB caiu 1,4 ponto porcentual (de 36,4% em dezembro para 35% em maio). O superávit primário do período contribuiu com 1,5 ponto porcentual para essa redução. O efeito do crescimento do PIB levou a uma queda de 1,1 ponto porcentual. Também contribuiu a desvalorização cambial de 7,8% no período, que teve um impacto de 1,2 ponto porcentual sobre a dívida líquida. No sentido contrário, contribuíram para elevar a dívida a apropriação de juros (+2,2 pontos porcentuais) e o ajuste na qualidade da cesta de moedas que compõe a dívida (+0,1 ponto porcentual).

Déficit nominal

O setor público registrou déficit nominal de R$ 16,064 bilhões em maio. Em maio de 2011, o déficit nominal havia ficado em R$ 14,669 bilhões.

O Governo Central registrou no mês passado déficit de R$ 9,540 bilhões. Os governos regionais tiveram déficit de R$ 6,055 bilhões. As empresas estatais, por sua vez, tiveram resultado negativo de R$ 470 milhões.

No acumulado do ano, o déficit nominal soma R$ 32,043 bilhões, o equivalente a 1,81% do PIB. Em 12 meses até maio, o déficit nominal do setor público totaliza R$ 104,066 bilhões (2,44% do PIB).

Gastos com juros

O gasto com juros da dívida pública alcançou R$ 18,717 bilhões em maio. O valor é menor que o registrado um ano antes, em maio de 2011, quando foram pagos R$ 22,175 bilhões em juros aos credores. A maior parte das despesas foi do governo central, cuja a conta somou R$ 11,098 bilhões. Já o pagamento feito pelos governos regionais ficou em R$ 7,301 bilhões. Com destaque aos governos estaduais, que pagaram R$ 6,146 bilhões em juros aos credores da dívida. Maio teve ainda o pagamento de R$ 319 milhões em juros de dívidas das empresas estatais.

No acumulado de janeiro a maio de 2012 a conta com juros do setor público somou R$ 94,908 bilhões, o equivalente a 5,36% do PIB. A despesa é menor que a verificada em igual período de 2011, quando os cofres públicos pagaram R$ 100,760 bilhões, ou 6,11% do PIB. No acumulado em doze meses até maio, o pagamento de juros alcançou R$ 230,821 bilhões, ou 5,41% do PIB.

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