PAULO PINTO/ESTADÃO
PAULO PINTO/ESTADÃO

Setor de serviços sobe 10,9% em 2021, recorde da série histórica iniciada em 2012

Segmento recuperou as perdas do ano anterior; na comparação mensal, dezembro teve alta de 1,4% em relação a novembro

Vinicius Neder , Cícero Cotrim e Marianna Gualter, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 09h07
Atualizado 10 de fevereiro de 2022 | 19h51

RIO E SÃO PAULO - Atrasado na retomada após o tombo de 2020, por causa da covid-19, o setor de serviços fechou 2021 com alta de 10,9%, o maior avanço anual já registrado na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. 

O órgão, que divulgou os dados nesta quinta-feira, 10, informou ainda que o volume de serviços prestados cresceu 1,4% em dezembro ante novembro de 2021, contribuindo, segundo economistas, para afastar a perspectiva de retração na economia no quarto trimestre.  O levantamento aponta também que o segmento recuperou as perdas do ano anterior.

“Dezembro foi um mês de surpresas favoráveis, especialmente na indústria (com avanço de 2,9% na produção industrial sobre novembro) e, agora, nos serviços”, disse Rodolfo Margato, economista da corretora XP Investimentos.

Com o desempenho dos serviços em dezembro, a XP elevou sua projeção de crescimento econômico no quarto trimestre sobre o terceiro para 0,3%, ante 0,2% anteriormente. A corretora Ativa Investimentos elevou sua estimativa de crescimento econômico para 2021 fechado para 4,7%, ante 4,6% anteriormente. Mais pessimistas, os economistas do banco digital C6 Bank mantiveram a expectativa de crescimento nulo no quarto trimestre do ano passado, com “serviços ajudando um pouco e a indústria um pouco negativa”, disse Felipe Salles, economista-chefe da instituição.

Retomada pós-pandemia 

O avanço no volume de serviços prestados em dezembro também confirmou a recuperação aos níveis de atividade antes da pandemia. Segundo o IBGE, o nível de atividade do setor atingiu, no último mês de 2021, patamar 6,6% acima do verificado em fevereiro de 2020, último mês antes de a covid-19 se abater sobre a economia. É o maior nível desde agosto de 2015, apenas 5,6% abaixo do pico da série histórica do IBGE, registrado em novembro de 2014.

Segundo Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, a retomada pós-pandemia foi puxada por atividades voltadas para a demanda das empresas. O destaque são os serviços de tecnologia da informação (TI), que atingiram em dezembro de 2021 um nível de atividade 48,9% superior ao visto em fevereiro de 2020, batendo recordes sucessivos nos últimos meses. São serviços que não exigem tanto contato pessoal para serem prestados.

Por outro lado, os serviços prestados às famílias, como hotelaria, bares, restaurantes, cinemas, entre outras atividades de lazer, esses sim dependentes do contato pessoal, ainda estão 11,2% abaixo do nível registrado em fevereiro de 2020. Isso mesmo após uma alta de 61,6% no volume ao longo de nove meses de alta até dezembro passado, impulsionada pela normalização do funcionamento dos negócios, à medida que o avanço da vacinação permite a redução de restrições para conter a pandemia.

De acordo com Lobo, o bom desempenho em 2021 se deve, em parte, pelo fato de o setor de serviços ter levado mais tempo em seu processo de recuperação, já que muitas de suas atividades dependem do contato presencial. Mais afeitas à adoção do trabalho remoto, segmentos da indústria e do comércio varejista se recuperaram antes e com mais força, ainda na segunda metade de 2020.

“O ‘delay’ (atraso) na recuperação (em relação a outros setores da economia) trouxe uma base de comparação, em 2020, comprimida. Isso traz uma escala maior de crescimento em 2021 para os serviços”, afirmou Lobo.

Desaceleração no último trimestre

Apesar do bom número de 2021, a recuperação dos serviços também foi perdendo folego ao longo do ano. No quarto trimestre, o avanço sobre o terceiro trimestre foi de 0,4%, na sexta alta seguida nessa base de comparação. O avanço no fim do ano foi mais tímido do que nos trimestres anteriores.

Mesmo nos serviços prestados às famílias, cuja retomada segue incompleta, houve perda de fôlego. O crescimento de 0,9% em dezembro ante novembro de 2021 foi o menor dos nove meses de alta. Segundo Lobo, a redução no ritmo pode estar associada à recuperação das bases de comparação, à medida que a retomada vai avançando mês a mês, a eventuais restrições remanescentes ao contato pessoal por causa da pandemia e à dinâmica de emprego e renda, que restringem a demanda.

Os efeitos da dinâmica de emprego e renda são difíceis de serem mensurados, ressaltou Lobo. O pesquisador lembrou que boa parte do consumo dos serviços prestados a famílias, como lazer, bares e restaurantes, é considerada supérflua, ou seja, seu consumo é cortado quando há restrições nos orçamentos domésticos, seja por causa da inflação, seja por que o consumidor perdeu o emprego.

“Em algum momento, isso vai fazer diferença (na recuperação dos serviços prestados a famílias). Se já está fazendo e qual o peso, não dá para mensurar”, afirmou Lobo.

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