Setor sucroalcooleiro fará estudo para baixar custo logístico

A indústria sucroalcooleira do Estado de São Paulo quer baixar o custo de escoamento da safra, hoje um dos maiores entraves para o aumento da competitividade do setor. Para isso fará um estudo junto com a Secretaria Estadual de Transportes para apurar as melhorias e investimentos necessários na logística de escoamento da produção de açúcar e álcool. O trabalho começa na próxima semana e deve ficar pronto em dois anos. Além da logística atual não comportar mais aumento de oferta, o custo do transporte até os terminais de exportação é alto comparado ao de outros países concorrentes. Segundo dados da Unica, a exportação de açúcar da região Centro-Sul do País passou de 1,2 milhão de toneladas em 1992 para 17,5 milhões de toneladas em 2006. Os embarques de álcool saíram de zero para dois bilhões de litros. O Estado de São Paulo responde por 60% destes totais.Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica, calcula que um terço da vantagem competitiva da indústria é perdido no transporte. O custo para levar mil litros de álcool ao porto varia de US$ 50 a US$ 60, para um produto que é vendido por US$ 300 a US$ 400 no exterior. "Nenhum país tem este custo, que é, no mínimo, o dobro de nossos concorrentes", diz. A Secretaria dos Transportes avalia que o valor poderia cair a US$ 32 com a logística adequada.CrescimentoO crescimento da produção será forte nos próximos anos, o que exigirá melhorias no sistema de escoamento. Levantamento apresentado pelo secretário de Transportes, Dario Lopes, indica que até 2010 a produção de açúcar vai crescer 34% e a de álcool, 73%. As exportações de álcool combustível e industrial vão disparar 300%, para oito bilhões de litros no período.A maior atenção está voltada para o escoamento do álcool, que tem infra-estrutura de exportação mais precária. O porto de Santos não comporta grandes navios e não há mais espaço para o crescimento deste terminal. A via mais provável seria pelo porto de São Sebastião, no litoral norte paulista.Segundo uma das alternativas já estudadas pela Secretaria, o álcool combustível seria transportado por dutos de Ribeirão Preto até Paulínia, e de lá até Guararema/São Sebastião. Da região de Araçatuba, o álcool seguiria por hidrovia até o terminal de Conchas, no centro do Estado, e de lá por dutos até Paulínia/Guararema/São Sebastião. O secretário Dario Lopes calcula que R$ 1 bilhão seria necessário para adequar o porto e suas vias de acesso. Na proposta da Secretaria, a hidrovia Tietê-Paraná teria papel importante, por estar no meio da região produtora, e seria complementada pelos dutos e pela ferrovia. Uso do modal hidro-ferroviário diminuiria os custos em 20% com relação ao modal rodoviário. A Secretaria estima que seriam necessários 600 km de dutos a um custo de R$ 600 milhões, mais R$ 100 milhões para a construção de um terminal de armazenagem. O governo do Estado já autorizou a construção dos dutos nas faixas de domínio das rodovias, o que reduz o custo de desapropriação de terras. Governo e indústria vão arcar com os recursos necessários.

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