Setor terciário puxa queda dos investimentos estrangeiros

O setor terciário, de comércio e serviços, respondeu pela maior parte da queda dos investimentos estrangeiros diretos (IED) no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a junho de 2002, os investimentos somaram US$ 9,61 bilhões, e caíram para US$ 3,49 bilhões nos primeiros seis meses deste ano. No setor terciário, a queda foi de US$ 6,168 bilhões no primeiro semestre de 2002 para US$ 2,784 bilhões no mesmo período deste ano. Na indústria, a queda foi de US$ 3,453 bilhões para US$ 1,845 bilhões. No setor primário, de agropecuária e extrativismo, houve até uma expansão em relação ao ano passado até junho - de US$ 267 milhões para US$ 305 milhões, valores baixos em relação aos outros setores. Em junho, a participação do setor terciário nos investimentos estrangeiros diretos foi de 79,1%, contra 19,4% da indústria e 1,5% do setor primário. Os dados são do Banco Central e foram divulgados pela agência de promoção de investimento Investe Brasil. A queda dos investimentos em telecomunicações e correios explica 44% da queda no setor terciário. Apesar disso, o setor de correios e telecomunicações ainda foi o quarto entre os que mais receberam investimentos, ficando com US$ 460 milhões no primeiro semestre deste ano, sendo US$ 100 milhões em junho, mês em que o setor foi o terceiro a mais receber investimentos estrangeiros. Mais 24% da redução de investimentos estrangeiros no setor terciário ocorreu por conta da diminuição de investimentos nos setores de eletricidade, gás e água quente. Outros 10% de redução vieram do setor financeiro, mais 6% do comércio e 16% de outros setores. A indústria de produtos alimentícios e bebidas é responsável por 75% da queda de investimentos estrangeiros diretos no setor secundário do primeiro semestre do ano passado. Os produtos químicos responderam por outros 22% da queda, e os produtos têxteis por 3%. O setor que mais recebeu investimentos estrangeiros diretos no primeiro semestre deste ano foi o de metalurgia básica, com US$ 2,784 bilhões. Em seguida, veio o setor financeiro, com US$ 1,846 bilhão, e atividades imobiliárias, com US$ 919 milhões. Depois, vieram correios e telecomunicações (US$ 460 milhões), atividades de informática (US$ 394 milhões), transporte (US$ 370 milhões), alojamento e alimentação (US$ 362 milhões) e serviços prestados a empresas (US$ 333 milhões). Junho Em junho, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 958 milhões, que corresponderiam a US$ 973 milhões que ingressaram, menos os investimentos em bens, imóveis e moeda nacional. O saldo líquido, porém, foi de US$ 186 milhões, porque houve também saída de investimentos estrangeiro durante o período. No mês de junho, os maiores investimentos diretos estrangeiros (IED) foram para o setor de produtos químicos (US$ 222 milhões), intermediação financeira (US$ 180 milhões) e correio e telecomunicações (US$ 100 milhões). Outros setores que mais receberam investimentos foram os serviços prestados a empresas (US$ 69 milhões), comércio (US$ 55 milhões), agricultura, pecuária e extrativa mineral (US$ 45 milhões), fabricação e montagem de veículos automotores (US$ 45 milhões), eletricidade, gás e água quente (US$ 43 milhões). Estados Unidos Os Estados Unidos investiram US$ 1,003 bilhão em produção e serviços no Brasil este ano até o mês passado, sendo US$ 417 milhões em junho. Foi o país que mais investiu no Brasil no primeiro semestre. Em seguida, vieram os Países Baixos, com US$ 619 milhões; a Espanha, com US$ 604 milhões; a França, com US$ 461 milhões e a Alemanha, com US$ 439 milhões. Projetos de investimento Segundo pesquisa mundial da IBM, o Brasil foi o segundo país das Américas em número de projetos de investimento direto em maio, com 39 projetos, atrás apenas dos Estados Unidos, com 194. Canadá, México e Chile vieram depois, com respectivamente, 16, 15 e 7 projetos. No mundo, o Brasil ficou em 6º lugar, atrás dos Estados Unidos, da China, da Índia, do Reino Unido e da Alemanha. A pesquisa registrou 1.095 projetos de investimento anunciados no mundo, só em novos projetos e expansão, não incluindo fusões e aquisições. Para América Latina e Caribe, 28 são investimentos da região para o mundo e 90 do mundo para a região. As informações da pesquisa foram citadas pelo diretor da agência de promoção de investimentos Investe Brasil Clementino Fraga.

Agencia Estado,

29 Julho 2003 | 09h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.