Setor têxtil rejeita abertura do mercado para emergentes

Temor é que País seja invadido por produtos de Bangladesh, que só perde para a China em importações

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2009 | 19h03

A indústria de têxteis no Brasil rejeita um acordo anunciado pelo chanceler Celso Amorim para abrir o mercado brasileiro para produtos dos países mais pobres do mundo. O setor revela que o governo brasileiro não consultou o setor antes de fazer o anúncio.

 

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No domingo, 29, Amorim informou no primeiro dia da reunião ministerial da OMC que o Brasil passaria a não cobrar tarifas de importação dos países mais pobres, como forma de dar um sinal político de aproximação a esses governos e mostrar aos países mais ricos que estava disposto a fazer concessões.

 

A ideia é de 80% das linhas tarifárias sejam zeradas. A cada ano, 5% a mais seria adicionado, até chegar a 100%. Amorim garantiu que salvaguardas seriam estabelecidos caso houvesse um aumento importante de importações de um determinado país que afetasse a indústria nacional.

 

Mas o setor têxtil brasileiro reagiu nesta terça, 1.º, de forma dura. Uma carta foi entregue pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitando a abertura e a forma pela qual foi feita.

 

O temor principal é de uma invasão de produtos de Bangladesh. Hoje, o país asiático já é o segundo maior fornecedor de vestuários do Brasil no mercado estrangeiro, perdendo apenas para a China. No setor têxtil, as importações passaram de US$ 3,7 milhões em 2005 para mais de US$ 52 milhões em 2009.

 

Somadas as importações vindas de Bangladesh e do Camboja, o País comprará mais e US$ 110 milhões neste ano. Para o mundo, Bangladesh exportou até outubro US$ 12 bilhões no setor têxtil e é hoje um dos principais fornecedores do mercado mundial.

 

O próprio ministro de Comércio de Bangladesh, Mohamed Kha, revelou que o acesso ao mercado brasileiro para vestuários é uma de suas prioridades. "Isso favorecerá aos mais pobres no Brasil, que vão poder comprar roupas mais baratas", disse.

 

Fernando Pimentel, diretor superintendente da Abit, insiste que não é contra ajudar os países mais pobres. "Mas nós também temos nossas necessidades e não podemos ficar fazendo cortesias internacionais", afirmou Pimentel.

 

"Movimentos bruscos e anúncios como o que foi feito pelo governo não ajudam os empresários que estão fazendo investimentos. O governo diz que a economia doméstica é a maior mola de crescimento do País. Mas então precisamos preservá-la. Não podemos tolerar que a economia seja franqueada à custa de empregos", disse.

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