Setor vê demora para definir Plano Diretor

Empresas anteciparam negócios no final de 2013 e, segundo construtor, protocolaram plantas "que nem pastel"

O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 02h12

A indefinição quanto ao prazo para aprovação do novo Plano Diretor de São Paulo, que está em análise na Câmara Municipal, preocupa o mercado imobiliário. "Todas as empresas protocolaram plantas no final do ano passado", afirma o diretor de incorporação da Esser, Nick Dagan. "Foi que nem pastel."

Para o diretor geral da Brasil Brokers São Paulo, José Roberto Federighi, a grande questão que marcou o mercado em 2013 se refere às mudanças da lei de uso e ocupação do solo, que "ainda não foram aprovadas".

"É o Plano Diretor, que organiza e induz o crescimento da cidade", diz Federighi. "Essa indefinição de regras atrapalha demais os empreendedores, criando mais riscos para o setor."

Para cima. A venda de novos apartamentos em São Paulo chegou a 33.319 unidades em 2013, alta de 23,6% em comparação com as 26.958 do ano anterior. O número foi o maior desde 2010, quando atingiu 35.869 unidades.

O valor geral de vendas (VGV)superou R$ 19,1 bilhões, um aumento de 30% em relação aos R$ 14,7 bilhões de 2012. Segundo o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, o setor imobiliário antecipou negócios que seriam feitos só neste ano.

O diretor geral da Brasil Brokers, acha difícil dizer se imóveis de um quarto vão repetir a marca de 2013. "Há muitos projetos em aprovação na Prefeitura", diz. "Com certeza, ainda teremos muitos compactos de um dormitório e studios." Para Federighi, o segmento de dois dormitórios, mais uma vez, deve ser o campeão de vendas. No caso dos três dormitórios, ele diz que é preciso atender melhor essa demanda, "que acabou um pouco de lado no ano passado".

Multiúso. A diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelli, destacou o sucesso dos empreendimentos multiuso, que integram em um mesmo projeto apartamentos residenciais e conjuntos comerciais, além de outras edificações como hotel, shopping e restaurantes.

"Quebraram o preconceito de morar em apartamentos de alto padrão dentro de complexos multiúso", diz, citando projetos pioneiros, com esse conceito, construídos no século passado. "Era algo novo e enfrentou resistência. Hoje, não é mais assim", diz. "Essa foi a grande tendência que ocorreu em 2013."

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