Setores de alimentos e varejo são exceção

Multinacionais que produzem ou vendem bens de consumo ainda percebem forte expansão no mercado brasileiro

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2013 | 02h05

Apesar das preocupações de investidores e da reclamação de empresas, a desaceleração da economia brasileira parece que ainda não foi sentida no carrinho de supermercado. Gigantes do setor de alimentos e bens de consumo, como a francesa Danone e a suíça Nestlé, seguem animados com o Brasil. A mesma coisa acontece com grandes varejistas europeus, como os franceses Carrefour e Casino.

"Não há desaceleração para nós. Pode até ser que ela venha. Talvez, o que temos agora é um pouco de volatilidade", disse o diretor financeiro da francesa Danone, Pierre-Andre Terisse, ao responder uma pergunta durante teleconferência no fim de julho sobre eventual preocupação com a desaceleração em emergentes como a China e América Latina.

Antes da sessão de perguntas e respostas, na apresentação dos resultados, Terisse fez uma série de elogios ao desempenho da filial brasileira.

"O Brasil, particularmente, continua sendo um motor muito forte para o crescimento do grupo", disse ele. "Continuamos a fazer progressos e reforçar nossa presença na América Latina, com um desempenho muito forte no Brasil."

A concorrente Nestlé também elogiou o mercado brasileiro. "Na América Latina, o Brasil continua a entregar um alto nível de crescimento orgânico", destacou o balanço divulgado em 8 de agosto. Aos acionistas, a companhia suíça destacou que a venda "do achocolatado Nescau e dos biscoitos foram o ponto alto" no Brasil. "E o chocolate Kit Kat continua a construir um forte momento (no País)", diz a empresa.

Sinais de alerta. A anglo-holandesa Unilever reconheceu no balanço semestral que grandes emergentes como o Brasil e Rússia dão sinais de desaceleração. Apesar disso, a companhia destacou positivamente o desempenho da filial brasileira na primeira metade do ano, tanto que a empresa acelerou o lançamento de novos produtos no País.

Como os brasileiros continuam comprando achocolatados, biscoitos, chocolates e produtos de limpeza, os supermercados não têm do que reclamar. No balanço do francês Carrefour, as vendas no Brasil subiram 9,5% no segundo trimestre, na comparação com igual período de 2012. O ritmo, porém, é menos intenso que no primeiro trimestre, quando as vendas avançaram 13,3%.

O concorrente Casino está ainda mais feliz com o Brasil. Com a incorporação do Grupo Pão de Açúcar, a América Latina contribuiu com quase dois terços do lucro operacional do grupo francês no semestre.

Depois da briga pelo controle do varejista brasileiro, o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, elogiou diversas vezes a filial brasileira durante a teleconferência com investidores e analistas. "Foi excelente", resumiu. / F.N.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.