Setores de média e alta tecnologia são deficitários

Estudo da Fiesp mostra que superávit em 2006 de US$ 900 milhões virou déficit de US$ 44,1 bi no ano passado

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2015 | 02h05

A Dana, fabricante de autopeças, que está há quase 70 anos no País, exportou 15% do seu faturamento de US$ 580 milhões em 2014 e há algum tempo não vê essa fatia crescer. O segmento de autopeças é apontado no estudo da Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) como um dos setores que fazem parte da categoria de produtos intensivos em média e alta tecnologia que registraram no ano passado déficit na balança comercial.

Setores de média e alta tecnologia tiveram saldo comercial negativo em US$ 44,1 bilhões em 2014, segundo estudo da Fiesp, ante superávit de US$ 900 milhões em 2006. Peças, acessórios para veículos automotores responderam por 14,4% das importações de produtos com média e alta tecnologia no ano passado.

"Não estamos conseguindo conquistar novos negócios de exportação dentro da própria companhia", conta o diretor da Dana para América do Sul, Luís Pedro Ferreira. A unidade brasileira, com fábricas em Gravataí (RS), Diadema (SP) e Sorocaba (SP), perde espaço nas vendas externas para unidades da multinacional instaladas na Coreia e na Tailândia.

A dificuldade para conquistar novos negócios de exportação está na pressão de custos, que causam impacto direto nos preços. Entre os fatores de pressão, Ferreira cita custos de mão de obra, energia, acesso ao capital, problemas de infraestrutura e logística. "O cenário é muito hostil", diz o executivo.

Desde 2008, a empresa vem adotando uma série de medidas para melhorar a eficiência operacional. "Agora estamos nos trinques", afirma o diretor. Isso significa que hoje a companhia atingiu o limite para compensar os aumentos de custos com ganhos de eficiência. "Estamos esgotando as oportunidades que tínhamos lá trás." A questão agora é manter as exportações, já que a indústria brasileira, segundo ele, compete com desigualdade de condições em relação aos concorrentes de outros países.

Câmbio. Já em relação ao dólar que teve forte valorização e já beira R$ 3, Ferreira ressalta que esse avanço não faz muita diferença porque os seus custos também são influenciados pela moeda americana e acabam sendo pressionados com o aumento do câmbio.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, a alta do câmbio ajuda as exportações de carnes, assim como a perspectiva de abertura de novos mercados para o produto brasileiro. Segundo estudo da Fiesp, abate e fabricação de produtos de carne responderam no ano passado por 30,8% das exportações dos setores intensivos em recursos naturais e baixa tecnologia.

No ano passado, dos US$ 7,2 bilhões exportados pelo setor de carnes, 80% foram carnes in natura, isto é, produtos de baixo valor agregado, e 10% de produtos industrializados, segundo dados da Abiec. Camardelli acredita que a participação dos industrializados nas vendas externas possa avançar 10% nos próximos anos. "No futuro, o Brasil vai ocupar cada vez mais espaço nas exportações de produtos industrializados na área gourmet", prevê.

Ele traça esse cenário com base nas perspectivas de reabertura dos mercados do Japão e da China, bloqueados desde 2012 por causa do caso da vaca louca. Além da retomada de mercados, Camardelli acredita que esse avanço será possível porque o Brasil tem potencial pouco explorado. Pesquisa recente feita pela Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex), a pedido da Abiec, revelou que a carne brasileira está muito bem no segmento de "carne ingrediente" e "carne culinária", mas tem uma participação muito pequena no segmento gourmet, cujos preços são mais elevados. Esse é o segmento que deve ser mais explorado pelo setor.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Pauloexportação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.