Setores de sucesso
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Setores de sucesso

Apesar do cenário econômico desafiador, alguns setores têm registrado resultados animadores e elevado projeções

Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2022 | 19h55

Apesar das enormes deficiências da política econômica, alguns setores da economia emitem sinais de grande dinamismo. Entre eles estão o agronegócio, o petróleo, o minério de ferro e as energias renováveis.

Quanto às trapalhadas do governo, não é preciso muita demonstração. O ministro da EconomiaPaulo Guedesreconhece que não consegue emplacar seus projetos. O rombo das contas públicas só não cresceu mais em consequência da inflação, que incha os preços sobre os quais são calculados os impostos e aumenta artificialmente a arrecadação. O desemprego atinge cerca de 11% da população ativa... Enfim, não faltam encrencas.

Mas, assim como o Brasil se tornou referência em vacinação contra a covid-19, apesar do negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, há setores que vão muito bem e prometem mais.

Em fevereiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês) divulgou relatório em que prevê crescimento de 46% na exportação de soja pelo Brasil, dos atuais 93 milhões de toneladas para 136,1 milhões, na safra de 2031/32. A evolução do uso de tecnologias deverá aumentar a produtividade. E, quando estiverem disponíveis os novos trechos de malha ferroviária e rodoviária, o custo do transporte de grãos deve cair.

O petróleo é outro gol de placa. A previsão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é de que a produção nacional cresça 54% em dez anos, para 5,17 milhões de barris diários em 2031. Mas a boa perspectiva corre riscos de se frustrar caso prevaleçam as pressões políticas sobre a Petrobras.

E há o salto de produção de minério de ferro, em momento de aumento do consumo de outros metais produzidos pelo Brasil, como alumínio e níquel, que serão altamente demandados na transição energética. O Brasil exportou 357,3 milhões de toneladas de minério de ferro em 2021 por US$ 44,6 bilhões.

Outro segmento de destaque é o da produção de energia elétrica renovável, principalmente de fonte solar e eólica. A capacidade instalada de energia solar saltou de 1,1 gigawatt (GW) em 2017 para 15 GW até o momento. E a eólica, de 13 GW em 2017 para 21,05 GW. Apenas para dar ideia das proporções, a capacidade da maior hidrelétrica das Américas, a de Itaipu, é de 14 GW.

Se o governo não atrapalhar, logo chegará o dia em que o Brasil poderá usar essa energia para gerar hidrogênio verde, o aguardado combustível do futuro.

Esses exemplos de sucesso correm risco e certa limitação. O risco é o do olho gordo dos gastadores que pode matar a vaca leiteira. Bastará para isso que o excesso de tributação a sufoque. A limitação está no fato de que o agro, a mineração e a produção de energia sustentável continuam tendo participação relativamente baixa no PIB. 

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

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