ANÁLISE: Setores dependentes do Estado destroem mais empregos

A Pnad Contínua registrou estabilidade da população ocupada no 2.º trimestre. Por um lado, alguns segmentos, como comércio e serviços prestados às empresas, contribuíram com contratações, ainda que boa parte das novas vagas seja de ocupações por conta própria, o que reflete o aumento da precariedade do emprego, ou algum processo de terceirização de algumas atividades das empresas.

Rodrigo Leandro de Moura, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2015 | 02h01

Por outro lado, alguns setores mostram acelerada destruição de postos de trabalho. A indústria registrou uma contração de 40 mil ocupações em relação ao 2.º trimestre de 2014. Mas o pior segmento é o da construção, com quase 700 mil demissões, sendo que mais de 500 mil só do 1.º para o 2.º trimestre deste ano. As causas são conhecidas. A forte valorização dos imóveis, seguida do aumento da inadimplência das famílias, fez com que as vendas recuassem.

Ressalte-se, porém, que a maior intervenção do Estado na economia, tornando esse setor mais dependente do governo, tem uma parcela importante nas demissões. A crise na Petrobrás afetou negativamente toda a cadeia ligada a ela, principalmente de empresas de construção dependentes de contratos com a estatal. Aliada a isso, uma política fiscal expansionista e mal planejada no primeiro mandato do atual governo levou à necessidade de medidas de austeridade para contingenciar diversos gastos, dentre eles os do Minha Casa Minha Vida e do PAC. Essa presença elevada do Estado na economia, que cresceu nos últimos anos, tornando diversos segmentos dependentes do mesmo, iria levar, invariavelmente, a demissões nesses setores.

* Rodrigo Leandro de Moura é pesquisador do IBRE/FGV

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