Setores ligados à indústria automotiva têm desempenho ruim em maio

Segundo a Fiesp, nível de atividade de metalurgia básica caiu 1,5% em maio, enquanto os segmentos de borracha e plástico ficaram estáveis

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado,

31 de julho de 2012 | 13h29

SÃO PAUO - Os setores de artigos de borracha e plástico e de metalurgia básica apresentaram em junho um desempenho ruim no Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, com o primeiro mostrando estabilidade e o segundo queda de 1,5% na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. De acordo com o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, esses setores estão diretamente ligados à indústria automotiva, que passa por dificuldades.

Em reunião hoje, em Brasília, com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, afirmou que houve uma recuperação das vendas do setor desde junho, quando o governo reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Recentemente, ele já havia dito que o setor conseguira ajustar seus estoques a níveis adequados.

Para Francini, porém, o setor não vai bem. O diretor do Depecon acredita que os dados positivos anunciados pela Anfavea fazem parte de uma estratégia para a entidade conseguir convencer o governo a prorrogar a redução do IPI para automóveis. "O aumento da produção só será percebido quando eliminado o estoque excessivo, mas o mercado não está excitado", disse Francini.

Na opinião dele, a indústria automotiva destaca sinais negativos quando está em campanha para pedir benefícios ao setor, mas agora muda o discurso porque o objetivo é prorrogar o IPI reduzido, previsto para durar até 31 de agosto. "Com a ameaça do governo de tirar o IPI, a indústria automotiva volta a pintar a realidade com cores vivas", afirmou o diretor.

Outro dado divulgado pela Fiesp foi o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, que registrou alta de 0,7% em junho na comparação com o mês anterior, com ajuste sazonal. Na série sem ajuste, a queda foi de 1,4% na mesma base de comparação. Houve ainda recuo do indicador sobre junho de 2011, de 6,3%.

O INA acumula queda de 6,4% nos primeiros seis meses do ano e de 3,8% em 12 meses, até junho.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) passou de 80,4% em maio para 80,6% em junho na série com ajuste sazonal. Em junho do ano passado o nível de utilização era de 82,2%. Sem o ajuste sazonal, o Nuci em junho diminuiu para 81,0%, ante 81,6% em maio e caiu em comparação a junho de 2011, quando estava em 82,9%. 

Confiança

A confiança dos empresários industriais paulistas atingiu 49,6 pontos na pesquisa Sensor de julho, ante 48,4 na sondagem anterior, de junho, também divulgou a Fiesp. O indicador busca obter informações da atividade da indústria de transformação durante o mês corrente da coleta de dados.

Segundo a Fiesp, dos cinco itens que compõem o Sensor, três apresentaram aumento em relação ao mês anterior, um teve queda e outro permaneceu estável. Mercado passou de 49 pontos em junho para 52,2 pontos em julho; Vendas subiu de 43,7 para 47,9 na mesma base de comparação; Investimento passou de 53,1 pontos em junho para 56,3 pontos; Estoque saiu de 47 pontos para 43,2 pontos; Emprego saiu de 49 para 48,5 pontos - variação considerada estável pela Fiesp.

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