Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Setores que empregam mais produzem menos, diz estudo

A produção de setores que empregam mais caiu 1,5% no período 2003/2006, comparado aos quatro anos anteriores, enquanto segmentos que empregam relativamente menos, como petróleo e minério, avançam 11,8%. O resultado é de levantamento da consultoria MB Associados. O câmbio valorizado prejudica setores como têxtil, vestuários, calçados e mobiliário. O estudo mostra ainda que entre 1999 e 2002 o mesmo fenômeno já vinha ocorrendo, reflexo de um crescimento econômico menor e quedas no rendimento no período.O caso da Büettner, um dos maiores fabricantes brasileiros de toalhas, reflete bem a tendência. As exportações do fabricante catarinense encolheram 50% este ano por causa do câmbio fraco. Como o mercado interno não consegue absorver as vendas que iriam para o exterior, a produção caiu e foi necessário reduzir o quadro de pessoal. Cerca de 500 dos 1,8 mil trabalhadores da empresa foram demitidos ao longo de um ano."O câmbio está proibitivo. É preciso dar um jeito nessa política cambial, caso contrário os empregos vão ser criados na China", diz o presidente da Büttner, João Henrique Marchewsky. Com escritórios em Nova York e Barcelona, além da aposta em participações em feiras e difusão da marca no exterior, a empresa ainda mantém metade das exportações "para não perder todo o investimento feito lá fora", conta ele. O faturamento, que foi de R$ 240 milhões em 2005, cairá para R$ 160 milhões este ano, estima o executivo.O economista Sérgio Vale, autor do levantamento da MB Associados, explica que o real valorizado está afeta a performance de segmentos industriais que empregam mais. O problema é duplo: o câmbio enfraquece as exportações destas indústrias e estimulam a concorrência com produtos importados, especialmente da China. Nem mesmo o avanço da massa salarial este ano compensa o recuo nas exportações. Segundo Vale, a maior parte dos ganhos de rendimentos vêm das classes de mais baixa renda, o que gera menor impacto no consumo.O economista conta que, no ano passado, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), o aumento da massa de renda foi de 28% na faixa de até um salário mínimo, enquanto no grupo equivalente à classe média (de 10 a 20 salários mínimos) o avanço foi de 1,6%. "O crescimento na menor renda foi fundamental para certos produtos, mas não se sustenta porque foi baseado em estímulos fiscais", argumenta, citando o aumento do salário mínimo, o Bolsa Família e o reajuste do funcionalismo público.O levantamento mostra que entre 2003 e 2006 (até o mês de agosto), a extração de petróleo registra crescimento de 20,5%, ante o patamar dos quatro anos anteriores, e de minérios de ferro, 24,4%. No extremo oposto, os seguintes segmentos registram quedas, na mesma base de comparação: vestuário e acessórios (13,9%), calçados e artigos de couro (13,4%), bebidas (-6,2%), mobiliário (-4,2%) e fumo (-28,9%).O trabalho também mostra que nos quatro anos de 1999 a 2002 a produção dos segmentos intensivos em trabalho haviam recuou 1,3% e de petróleo e commodities avançou 17,6%, ante os quatro anos anteriores. Já entre 1995 e 1998 setores que empregam mais tiveram variação positiva: 5,2%, ante o período de 1991 a 1994. Isso se deve basicamente ao aumento do consumo nos dois primeiros anos do Plano Real (1995/1996), que acabou perdendo ritmo entre 1997/1998, com as crises internacionais e efeitos sobre a economia do País.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2006 | 19h47

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