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Setubal: País tem espaço para queda da taxa real de juro

O presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou hoje que há espaço para que a taxa de juro real (descontada a inflação) no Brasil alcance os atuais 5% e até fique ao longo do tempo em níveis menores. Segundo ele, o País já registra dez anos consecutivos de estabilidade econômica, baseados no tripé de metas de inflação, objetivos fiscais e câmbio flutuante. "Na época, 1999, quando foram instituídos o sistema de meta de inflação e o câmbio flutuante, sinceramente, não acreditei que fosse funcionar e, no fim, funcionou", declarou.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

11 de agosto de 2009 | 13h46

Setúbal ressaltou que foi um "fato extraordinário" que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tenha cumprido a meta de inflação todos os anos desde que assumiu o cargo, em 2003. Esse feito, segundo ele, ainda merece destaque por ter ocorrido em um governo do PT, que recebeu pressões sobre a condução da política monetária mas não se submeteu a elas.

Setubal também afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB), no segundo trimestre, indica um ritmo de crescimento entre 5% e 6% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Segundo ele, a economia brasileira está se recuperando de forma satisfatória dos efeitos da crise. O executivo ponderou ainda que o PIB deve fechar o ano apresentando uma velocidade de expansão ao redor de 4%. "Estatisticamente, o PIB em 2009 deve ficar próximo a zero, mas nos últimos meses do ano estaremos com um ritmo avantajado de aceleração, que deverá levar o País a crescer por volta de 4,5% em 2010. E (o índice) até pode chegar a 5%".

Setubal destacou, em palestra para empresários em São Paulo, que a tendência nos próximos anos é de valorização do câmbio em função de alguns fatores. Um deles é a melhoria das condições econômicas do País, que deve perdurar no longo prazo. Outro fator relevante é que os Estados Unidos, segundo ele, precisarão do dólar desvalorizado para permitir uma recuperação mais vigorosa da economia.

Setubal citou que a China, comercialmente, chega a ser hoje mais importante que os Estados Unidos, pois é o principal consumidor de produtos brasileiros. Para ele, na medida em que a nação asiática mantenha a forte rota de expansão nos próximos anos, o Brasil tende a intensificar a venda de mercadorias para o país, o que deve elevar a participação das matérias-primas (commodities) na pauta das vendas externas do País. "Nos próximos anos, a economia do Brasil deve passar por uma transformação. A produção de commodities vai se acentuar e será maior do que há dez anos", disse.

Eleições

O presidente executivo do Itaú Unibanco disse ainda que a sucessão presidencial em 2010 não lhe preocupa. "Ao avaliar os nomes dos possíveis candidatos que estão aí, como Dilma (Rousseff), (José) Serra e Aécio (Neves), nenhum deles me preocupa, ninguém me tira o sono". Embora tenha mencionado que processos eleitorais sempre embutem riscos, ele ressaltou que o Brasil adquiriu maturidade institucional. Além disso, o executivo pondera que nenhum dos três nomes poderia alterar substancialmente a condução da política econômica.

Setubal elogiou a atuação do atual governo na adoção de medidas fiscais e monetárias, responsáveis pela rápida melhora da economia brasileira, afetada pela crise mundial no final do ano passado. "A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros veio no momento certo. Ajudou muito a segurar o patamar de produção da indústria", comentou. Na avaliação do presidente do Itaú Unibanco, o Banco Central foi "muito competente" ao adotar um processo de distensão monetária em janeiro para estimular o nível de atividade, que ficou deprimida a partir do quarto trimestre de 2008, quando o PIB caiu 3,6% em relação aos três meses anteriores.

De acordo com Setubal, o BC também foi muito eficiente ao lidar com a questão relacionada aos derivativos de câmbio registrados no final do ano por algumas empresas. Em função de apostas no mercado futuro, um número pequeno de companhias, entre elas a Sadia e a Aracruz, registrou prejuízos de centenas de milhões de reais. "O BC também liberou liquidez para o sistema financeiro e direcionou recursos para bancos menores. Se acontecesse a queda de um banco pequeno naquele momento, seria um problema."

Setubal destacou que a gestão das contas públicas é um fator que merece atenção especial. Segundo ele, é preciso preservar a boa administração fiscal, o que está ocorrendo até agora. Ele ressaltou que uma parcela expressiva das despesas do governo é dedicada a programas sociais que, a seu ver, são necessários, considerando os problemas econômicos que muitos cidadãos enfrentam.

Fusões

O presidente executivo do Itaú Unibanco avaliou ainda que não há mais espaço para fusões de grandes bancos no Brasil. "O que está feito está feito. Até poderia ocorrer compra de bancos médios. Mas acho que entre os quatro grandes lá em cima não tem mais condição de acontecer nada", comentou. Em novembro, o Itaú anunciou a fusão com o Unibanco, o que deu origem ao maior conglomerado financeiro da América do Sul. Com a alteração, o Itaú superou o seu principal concorrente privado, o Bradesco.

Setubal disse que o atual nível de concentração do País é adequado para os bancos de varejo, pois, no mundo, poucos países têm mais de cinco grandes instituições operando no setor. Ele destacou que o Itaú Unibanco possui 20% do mercado nacional e frisou que não "acha que falta competição" no segmento.

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