Setubal prevê queda ''agressiva'' do spread

Presidente do Itaú diz que recuo da inadimplência permite queda na taxa

Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Depois da polêmica declaração de que a redução dos spreads praticada pelos bancos públicos não é sustentável, o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, previu ontem que será possível uma queda "agressiva" das taxas ao longo dos próximos meses. O spread - diferença entre o custo de captação do dinheiro e o do cobrado nos empréstimos - tem sido alvo de uma queda de braço entre governo e bancos.

"Ao longo dos próximos meses, vamos ter condições de fazer uma queda mais agressiva dos spreads", previu. Segundo ele, há hoje um "pico de inadimplência" nas operações de crédito dos bancos, o que tem sido a principal causa do valor ainda alto dos spreads. Mas esse quadro tende a se reverter com a retomada da economia e o aumento do emprego, da renda e das vendas das empresas.

O executivo rebateu a avaliação de integrantes do governo de que a inadimplência é usada como desculpa para manter os spreads altos. "Não é uma questão de falar em tese, mas de fatos. É só olhar os indicadores do Banco Central, que apontam que a inadimplência subiu bastante", alegou. Segundo o BC, a inadimplência no sistema financeiro atingiu 5,9% dos créditos em julho, o maior valor da série estatística iniciada em 2000. Setubal ressaltou que os balanços dos bancos também mostram perdas decorrentes do aumento da inadimplência.

"A inadimplência elevada já era esperada. A economia passou por um nível de atividade mais baixo, mas a economia já começa a retomar (o ritmo) e está próxima de voltar aos níveis anteriores de crescimento." Em agosto, Setubal se envolveu em uma polêmica com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre as taxas de spread. Na época, o banqueiro havia declarado que a redução do spread promovida por bancos oficiais não era sustentável. Dias depois, Mantega disse que Setubal estava equivocado e que os bancos privados iriam "comer poeira" na disputa com as instituições públicas.

AUTOMÓVEIS

Setubal fez palestra ontem no 19º Congresso da Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), na qual previu que o financiamento de veículos no País vai se concentrar em "cinco ou seis" grandes bancos. Mas afirmou que haverá maior competição, o que fará cair as prestações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.