Seus direitos

Saúde em questãoO medicamento Cronomet, utilizado por quem sofre do mal de Parkinson e produzido pela Merck, está em falta nas farmácias do País. Peço que a empresa esclareça quais foram as providências tomadas para regularizar o abastecimento. Vários membros da Associação Brasil Parkinson, que se tratam com o Cronomet, têm recorrido à entidade, pedindo a nossa ajuda.SAMUEL GROSSMANN, presidente da Associação Brasil ParkinsonSão PauloA Merck Sharp & Dohme informa que a empresa está com problemas no abastecimento do remédio por causa de mudanças no processo de fabricação do produto para alinhá-lo às exigências regulatórias locais. A distribuição deverá ser regularizada até o início de março e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está ciente desse fato.O leitor contesta: A resposta da Merck não esclarece a real razão do sumiço do Cronomet das prateleiras. Outros associados e eu fomos informados de que a falta decorre da transferência do acondicionamento de um local para outro. Ora seria para Porto Rico ora para a Holanda. A embalagem indicava que ele é produzido na Itália, acondicionado na Costa Rica e distribuído pela Merck Brasil. Agora, a empresa quer transferir a culpa à Anvisa, o que é inverossímil, pois esse órgão não iria pregar a ruptura da entrega de um remédio às farmácias. Se não houver outra razão insondável, a retirada do medicamento só poderia ser atribuída à falta de um planejamento ou irresponsabilidade.Maria Inês Dolci*: Independentemente de a Anvisa estar ciente dos fatos por questões regulatórias, a empresa é responsável pela distribuição do medicamento e o abastecimento nas prateleiras das farmácias. Ela tem o dever de comunicar o problema, indicando, inclusive, o período em que o remédio não estará disponível, em respeito aos consumidores que dependem dele. Se houve problemas ou não de logística o consumidor não pode ser afetado. Pelo Código de Defesa do Consumidor, a informação é fundamental para que o paciente tenha a oportunidade de pedir ao médico a substituição do medicamento e possa procurar no mercado outro produto que supra suas necessidades. Como é um remédio de uso contínuo, sua interrupção poderá trazer sérias consequências. Comida emboloradaMinha filha foi internada no dia 6 de janeiro no Hospital São Camilo-Pompeia com suspeita de virose e desidratação. Fomos bem atendidos, mas achei um absurdo servirem comida embolorada para a ela. Por isso, pedi sua transferência para o Hospital Israelita Albert Einstein, onde ela recebeu alta no dia 11 do mesmo mês. Creio que foi por sorte que ela não piorou. Tentei contatar a Anvisa, mas sem sucesso. Gostaria que algo fosse feito, porque é um absurdo servirem comida embolorada com data de validade em dia. Ou adultera as datas ou o hospital é descuidado ao armazenar e ao preparar as refeições dos pacientes.RAFAEL DE CASTRO BUENOSão PauloA diretoria do Hospital e Maternidade São Camilo-Pompeia informa que são aplicados, diariamente, todos os procedimentos de segurança exigidos pela Vigilância Sanitária. Como também, acrescenta, os controles e registros dos processos que envolvem o correto preparo, embalagem, acondicionamento (refrigeração) e distribuição monitorada dos alimentos, a fim de evitar qualquer tipo de risco à saúde e à segurança de pacientes e clientes que usam o serviço. A diretoria ressalta que o hospital está aberto à visitação para o conhecimento do processo e controle de monitoramento adotados pelo Setor de Nutrição e Dietética da instituição, que busca sempre a garantia da segurança alimentar.Maria Inês Dolci*: O hospital é responsável pela qualidade da alimentação oferecida aos pacientes. Se uma refeição foi servida com bolor, significa que falta controle dos procedimentos para o armazenamento e preparação dos alimentos. Eles fugiram aos padrões de qualidade que se espera de um hospital. Quando o bolor, que é um fungo, já está visível na superfície, os alimentos precisam ser imediatamente descartados. Alguns tipos de bolor causam fortes reações alérgicas, incluindo problemas respiratórios em pessoas mais suscetíveis, ou seja, inadmissível que isso ocorra dentro de um hospital onde há pessoas com a saúde fragilizada. É importante que a Vigilância Sanitária inspecione o hospital, pois se trata de saúde pública que pode estar sendo colocada em risco. Caso a paciente tivesse tido problemas, o pai poderia entrar na Justiça com ação de reparação de danos, porque o caso se configuraria em acidente de consumo.Emergência e burocraciaNo dia 20 de dezembro de 2008 meu pai sofreu um enfarte e foi encaminhado ao Pronto-Socorro (PS) de Barueri. A assistente social contatou a Golden Cross para pedir a remoção dele à UTI com urgência. Ficamos horas esperando e, como ninguém retornou, telefonei para pedir esclarecimentos. Esperei 15 minutos na linha e o atendente não soube me passar as informações. Minha mãe, minha tia e eu contatamos a central do plano várias vezes, mas os funcionários respondiam que teríamos de aguardar. Um deles disse que era necessário aguardar até o final do dia para verificar se haveria uma ambulância disponível. Por volta das 16h30, a médica do PS avisou que não poderia mais aguardar o retorno da Golden Cross porque o estado de meu pai estava piorando. Ela solicitou uma vaga no Hospital Pirajuçara, que é público e de imediato aceitou interná-lo na UTI. Após a remoção, a assistente social do PS informou que a Golden Cross entrara em contato pedindo para que a médica conversasse mais uma vez com o médico do hospital. Só enrolação! Ficamos mais de três horas aguardando uma liberação, que não ocorreu. Ao questionar a atendente da Golden Gross sobre o problema, ela respondeu que nada poderia ser feito.GABRIELA SONIM BarueriA Golden Cross informa que entrou em contato com a sra. Gabriela, filha do associado, esclarecendo as rotinas da central técnica e se prontificou a intensificar a monitoria dos atendimentos, visando a uma constante melhoria dos serviços oferecidos.Maria Inês Dolci*: É numa situação dessas que observamos o despreparo dos atendentes. A empresa tem obrigação de qualificar melhor aqueles que estão do outro lado da linha dando informações, buscando soluções e agilidade para os casos, principalmente os de emergência. A função do plano de saúde é oferecer ao consumidor o atendimento médico quando ele necessita. Se não o faz descumpre o contrato e desrespeita o Código de Defesa do Consumidor. Portanto, a Golden Cross é totalmente responsável pela falta de atendimento ao paciente, ainda mais por ele estar numa situação em que corria risco de perder a vida. A Agência Nacional de Saúde deve ser informada a respeito do problema para que fiscalize e faça com que a empresa se adapte às novas regras do call center.*Maria Inês Dolci é coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste).Seus direitos:ENDEREÇOAvenida Engº Caetano Alvares, 55, 6º andar, CEP 02598-900, São Paulo/SP FAXFax (011) 3856-2940E-MAILconsumidor.estado@grupoestado.com.brEste espaço é aberto a reclamações de consumidores que se sintam prejudicados ou tenham dúvidas ref. às suas relações com empresasAs reclamações devem ser enviadas com assinatura, identificação RG, endereço e telefone. O Estado se reserva o direito de selecioná-las para publicação. Correspondência sem esses dados não será considerada. Todas as reclamações serão enviadas às empresas, que terão 15 dias para responder.

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