Severino defende afastamento de Meirelles durante investigação

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, disse hoje, em entrevista coletiva, ao deixa o XVII Fórum Nacional, que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve deixar o cargo, enquanto o Supremo Tribunal Federal não decide sobre o processo em que Meirelles é acusado. Para Severino, se o STF aceitou a denúncia da procuradoria é porque existe algum indício contra Meirelles. Suspeitas contra Meirelles Henrique Meirelles é suspeito de haver sonegado impostos, enviado recursos ilegalmente ao exterior e ainda de haver fornecido informação errada à Justiça Eleitoral. Essa é a base do pedido de investigação que o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, enviou ao STF no dia 6 de abril. Uma investigação pode levar meses e até anos. Fonteles sugeriu que, para a fase inicial da investigação, seja dado prazo de 60 dias. Caberá ao procurador-geral conduzir as investigações, podendo requisitar documentos e tomar depoimentos. Ao final, ele elaborará um relatório e, se concluir que houve crimes, oferecerá denúncia. Essas denúncias serão levados ao plenário do STF e, se a maioria dos 11 ministros aceitá-las, será aberto um processo criminal. Nesse caso, Meirelles passará de suspeito a réu. Embora tenha iniciado a investigação, Fonteles não vai conclui-la. Em junho, termina seu mandato como procurador-geral. Seu substituto será escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As principais suspeitas que a Procuradoria quer investigar são as seguintes: 1) empresas - Uma das suspeitas que pesam contra o presidente do BC é a de ter aberto empresas em paraísos fiscais. A arquitetura empresarial é a mesma utilizada por pessoas e empresas interessadas em enviar dinheiro ilegalmente ao exterior, sonegar impostos ou dar aspecto legal a dinheiro obtido ilegalmente ("lavagem"). A Procuradoria quer saber se é o caso de Meirelles. Estas empresas seriam controladas pela Henrique Campos Meirelles Trust. 2)Eleição - Meirelles não apresentou em 2001 sua declaração de Imposto de Renda sob a alegação de que estava residindo no exterior. No entanto, ele havia informado à Justiça Eleitoral que tinha residência no Estado de Goiás no mesmo ano, para poder concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PSDB. Daí a suspeita de crime eleitoral. Remessa ao exterior - Há suspeitas sobre uma remessa de US$ 1,4 bilhão feita pelo Boston Comercial, controlado pelo Banco de Boston, após a desvalorização do real em janeiro de 1999. A saída dos recursos não chegou a ser registrada no BC, que, no entanto, fiscalizou depois a operação e atestou sua legalidade, inclusive para a CPI do Banestado. Na época, Meirelles era presidente mundial do BankBoston Corporation. 3)Patrimônio - O procurador quer explicações sobre a variação patrimonial de Meirelles. Hoje, o patrimônio pessoal do presidente do BC é avaliado em US$ 30 milhões.

Agencia Estado,

12 Maio 2005 | 16h53

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