SFI depende de agentes financeiros

Desde quarta-feira, a Caixa Econômica Federal (CEF) só concede financiamentos imobiliários para famílias com renda acima de 12 salários mínimos dentro dos padrões do o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). O novo padrão de contratos imobiliários, obrigatório, mantém, em grande parte, as mesmas condições vigentes atualmente. Os principais são o limite máximo de financiamento de R$ 180 mil e a taxa de juros de 12% ao ano. Com a diferença que, a partir de agora, incorpora a figura jurídica da alienação fiduciária. Ou seja, a propriedade do imóvel só passa ao comprador no momento de quitação do financiamento.Em caso de inadimplência do mutuário por três meses, esgotadas todas as negociações, a CEF poderá retomar o imóvel sem necessidade de execução judicial ou extrajudicial. No sistema antigo, o processo de retomada do imóvel pela Caixa podia levar até 6 anos. "Porém, isso não quer dizer que, em caso de inadimplência de 3 meses, por exemplo, o mutuário perderá o imóvel. Tentaremos todas as negociações. Queremos punir apenas os maus pagadores, que se aproveitam da demora da Justiça para ocupar o imóvel sem pagar as prestações", justificou Gueiros.Os novos contratos não incluem os financiamentos destinados a famílias com renda inferior a 20 salários mínimos, que continuarão sendo atendidos pelos critérios do Sistema Financeiro de Habitação (SHF) e dos programas de liberação de crédito. A CEF acredita que o SFI dobrará o volume de financiamentos imobiliáriosO sucesso do SFI dependerá de adesão dos demais agentes do sistema financeiro para desenvolver o mercado imobiliário no Brasil. A avaliação é do coordenador do grupo responsável pela implantação do SFI na CEF, Elmar Gueiros. Isso, porque a ampliação do financiamento imobiliário ocorrerá pela securitização dos empréstimos concedidos. Através da securitização, a instituição financiadora emite títulos com os empréstimos concedidos como garantia, vendendo-os no mercado. Para o diretor da companhia de securitização Brazilian Securities, Fernando Cruz, a nova estratégia deve acelerar a implantação do sistema no País. Ele acredita que os negócios com CRIs poderão movimentar, até 2015, cerca de US$ 450 bilhões por ano. Segundo o coordenador do SFI na Caixa, o novo sistema, voltado para famílias com renda acima de 20 salários mínimos, deve dobrar o total de recursos destinados à classe média, dos atuais R$ 2,75 bilhões, previstos em 2000, para R$ 5,5 bilhões em 2003, dobrando de 62 mil para 124 mil a quantidade de moradias financiadas pelo mecanismo da securitização.

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