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SFN manteve liquidez no primeiro semestre, informou o BC

O índice de liquidez do Sistema Financeiro Nacional (SFN) brasileiro permaneceu elevado no primeiro semestre de 2013, apesar da queda no valor em estoque de títulos públicos federais e de maior vinculação de ativos líquidos para atender ao aumento de demanda por garantias em bolsa. A avaliação está no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado pelo Banco Central, nesta quinta-feira, 26.

RENATA VERÍSSIMO, CÉLIA FROUFE E ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

26 de setembro de 2013 | 11h49

Segundo o documento, a conjuntura de incertezas nos mercados financeiros internacionais de janeiro a junho, com reflexos na liquidez global e no aumento da volatilidade nos mercados, atestou a percepção do baixo risco de liquidez e da resiliência do sistema bancário brasileiro.

Embora o índice de liquidez tenha se reduzido, principalmente ao final do semestre, a queda foi em parte amenizada pela menor velocidade na expansão do crédito nos bancos privados. O relatório informa que o crédito concedido pelo sistema financeiro nacional cresceu de forma mais moderada, sustentado pelo crescimento do crédito nos bancos públicos, que continuaram a aumentar a participação na carteira total.

Migração

O BC afirma que houve continuidade no movimento de migração tanto de pessoas físicas quanto jurídicas para modalidades de menor risco, com taxas mais baixas e prazos mais longos, o que contribuiu para reduzir o comprometimento de renda das famílias e da receita das empresas. "A inadimplência da carteira total recuou, principalmente devido à queda nos atrasos nas operações de crédito com pessoa física", afirma.

O impacto da volatilidade dos mercados foi reduzido no período, confirmando a capacidade de solvência do sistema bancário brasileiro. De acordo com o BC, projeta-se, no curto prazo, a continuidade da maior competição entre os bancos, com reflexos sobre a rentabilidade.

"Com a possível elevação de custo de captação em função dos requerimentos de Basileia III para qualificação como capital regulatório, vislumbra-se menor ritmo de crescimento dos instrumentos elegíveis ao capital complementar e de nível II", avaliou o BC no relatório. Essa possível redução na velocidade de crescimento do capital não configura, de acordo com a instituição financeira, fator de preocupação quando se considera a desaceleração recente verificada na exposição a riscos da atividade bancária em geral.

Lucro líquido

O lucro líquido do sistema bancário se manteve estável, segundo o relatório do BC. O documento afirma que o lucro líquido foi limitado, no entanto, pelo fraco crescimento do resultado de intermediação financeira, em razão da redução das margens brutas de crédito, do arrefecimento das concessões de crédito, com menor geração de receitas, e do impacto negativo da marcação a mercado da carteira de títulos. "Apesar disso, permaneceu robusto e eminentemente oriundo de operações financeiras de natureza recorrente, sobretudo bancárias e de seguros", trouxe o relatório.

O BC afirma que a capacidade de solvência do sistema bancário brasileiro permanece em patamar confortável apesar da leve piora nos resultados dos testes de estresse, da desaceleração no ritmo de crescimento do capital, da ligeira redução na relação capital próprio sobre ativos e do leve incremento na participação de ativos contingentes.

O documento afirma que o Índice de Basileia do sistema bancário está em nível elevado e a quase totalidade das instituições financeiras atendem à exigência regulatória de capital. "A solidez do sistema bancário é verificada também pelos resultados dos estudos de impacto da implementação de Basileia III e pelos resultados dos testes de estresse, os quais demonstram a resiliência das instituições em todos os cenários analisados, inclusive naqueles de extrema deterioração das condições macroeconômicas", afirma.

Basileia III

O Relatório de Estabilidade Financeira do BC explica que, acompanhando a preparação dos bancos para os futuros requisitos de capital, foram atualizadas as simulações referentes à implementação imediata da nova regulamentação referente às regras de Basileia 3.

"O resultado sugere que a maioria das instituições do sistema bancário brasileiro estaria apta a cumprir a regulamentação estabelecida e evidencia evolução em relação ao semestre anterior", trouxe o documento. De acordo com o REF, o índice para o sistema totaliza 13,1% e, caso a exigência da nova regulamentação estivesse em vigor em junho de 2013, não seriam necessários recursos adicionais.

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