Shell estuda construção de refinaria no Brasil

A Shell está estudando a viabilidade de construir uma refinaria no Brasil. A multinacional anglo-holandesa, que já atua no Brasil nas áreas de exploração e produção de petróleo e na distribuição de derivados, tem planos de aumentar sua rentabilidade tornando-se uma companhia integrada no País, com atividades em todos os elos da cadeia. Atualmente, funcionam no País 13 refinarias - 11 da Petrobrás e apenas duas da iniciativa privada, que não chegam a responder por 2% do mercado.Segundo o diretor de Exploração e Produção da Shell Brasil, John Haney, os estudos estão sendo realizados tanto pela empresa individualmente como em parceria com a Petrobrás. "Nós não estaríamos estudando esta possibilidade se não houvesse interesse real em investir nesta área". O diretor da Shell afirmou, entretanto, que o projeto deve ser implantado no longo prazo. O principal interesse no refino no Brasil, disse Haney, seria para reduzir o custo com transporte e para exportar o produto para outros países da América do Sul. "A instalação de uma refinaria próximo ao local de produção reduz em média o custo de um barril em US$ 3 dólares", acrescentou. A Shell é uma das companhias mais agressivas no setor de exploração e produção brasileiro, com participação em 14 blocos exploratórios e um em vias de iniciar a produção. Cinco destes blocos foram adquiridos com a compra da britânica Enterprise Oil e Haney não descarta o desinvestimento em algumas áreas. "As companhias têm visões diferentes sobre os projetos e tem áreas que eram boas para a Enterprise e podem não ser para nós", explicou.A multinacional começa, em 2003, a produzir óleo, em parceria com a Petrobrás, nos campos de Bijupirá-Salema, na Bacia de Campos, e tem que decidir como escoar a produção. Além disso, já tem duas descobertas nas Bacias de Campos e Santos. O executivo informou, porém, que a empresa ainda avalia a viabilidade das reservas.DéficitA área de refino é estratégica para o Brasil nos próximos anos, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). "Se não houver investimentos no aumento da capacidade das atuais refinarias e ainda na instalação de novas, com participação de empresas estrangeiras, o Brasil pode aumentar dos atuais 15% para até 30% a importação de derivados de petróleo em 2010", disse o diretor geral da ANP, Sebastião do Rego Barros.Para ele, seria imprudente que o País deixasse de atingir este porcentual. "Seja por motivos ambientais ou estratégicos, não é bom para o País ter mais de 15% de seu consumo dependendo da produção de outros países e do humor do mercado internacional". A Petrobrás já informou que não pretende investir em novas unidades de refino no Brasil e, portanto, o aumento da capacidade deve ser feito pela iniciativa privada.

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 18h49

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