Shopping procura alternativa para sorteio

Com a chegada do Natal começam as promoções dos shopping centers sorteando carros, viagens e outros prêmios. Pois esse ano será diferente: nada de cupons, urnas e esperanças. Isso porque o Ministério da Fazenda (MF) decidiu proibir a realização de sorteios gratuitos por empresas que não estão quites com os impostos e os pagamentos da Previdência Social. "A Fazenda decidiu mudar o procedimento e não consultou o setor varejista. Essa decisão prejudica consumidores e lojistas", diz Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira da Lojistas de Shopping Centers (Alshop). Mediante o artigo 20 da Medida Provisória nº 2.049-22, de 28 de agosto de 2000, combinado com o parágrafo único do art. 2º da Portaria MF no 201, de 5 de julho de 2000, a Fazenda institui que deve ser encaminhado um pedido de autorização à Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) e "somente será concedida a pessoas jurídicas que exerçam atividades comerciais, industriais ou de compra e venda de bens imóveis, as quais estejam, comprovadamente, quites com os impostos federais, estaduais e municipais, assim como com as contribuições da Previdência Social". No caso dos shopping centers, é necessário que todas as lojas do centro comercial apresentem as certidões negativas. Sahyoun argumenta que a burocracia dificulta a realização das promoções e que nenhum shopping conseguirá obtê-las a tempo. "Apenas o Shopping Raposo conseguiu a autorização porque entrou com o pedido antes da mudança".AlternativasSahyoun explica que é possível realizar o sorteio se ele for patrocinado apenas pelas lojas que estiverem em dia com o Fisco. "Só que ficaria péssimo ter que listar as lojas que estão participando e restringir a promoção. Como seriam realizadas as propagandas? Essa medida tornaria a iniciativa confusa para o consumidor e dificultaria a distribuição da verba de marketing do shopping", reclama. Uma solução encontrada por alguns dos 506 shopping brasileiros foi investir em eventos culturais, como apresentações musicais e exposições, incrementar a decoração de Natal e patrocinar áreas de diversão para crianças. "Só que isso não resolve o problema, já que o sorteio de carros e outros brindes atrai o consumidor com uma eficácia muito maior. Ainda acreditamos que haverá sensibilização por parte das autoridades", espera o presidente da Alshop.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.