Shoppings antecipam liquidações em São Paulo

Com volume de estoques maior do que em 2001, lojistas de shopping centers de São Paulo decidiram antecipar em cerca de dez dias as liquidações oficiais de inverno. O atraso na chegada do frio fez com que os lojistas trabalhassem com promoções praticamente durante os dois últimos meses. Agora, com as temperaturas mais baixas, chegou o momento de os comerciantes ampliarem os volumes de ofertas.A intenção é obter dinheiro para comprar a nova coleção. "O frio demorou muito para chegar e as vitrines estão lotadas de roupas de inverno", diz a gerente de marketing do shopping Eldorado, Yara Terra. As cerca de 400 lojas do Eldorado estão em liquidação desde segunda-feira até o dia 28. Em 2001, Yara informa que foram apenas três dias de liquidação e, em anos anteriores, a desova de estoques de inverno ocorria só depois do Dia dos Pais.Neste ano não só a liquidação está ocorrendo antes, como também os descontos estão maiores. No shopping Iguatemi, por exemplo, eles vão até 60%, ante 50% no evento do ano passado, diz o gerente-geral Charles Krell. "Muitas lojas começaram a liquidar os estoques em junho", diz. Hoje, 100 das 400 lojas do Iguatemi estão em plena liquidação de inverno."Os estoques das lojas hoje estão um pouco maiores do no ano passado", afirma o presidente da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun. Ele relata que parte dos produtos foi desovada ao longo dois últimos meses com promoções porque os lojistas ficaram desesperados com atraso na chegada do frio.Mesmo assim, a entidade promove uma megaliquidação de shoppings, a 10ª edição da Liquida São Paulo, de 26 de julho a 4 de agosto. "Cerca de 90% dos shoppings tradicionais da capital e da Grande São Paulo vão participar do evento", diz Sahyoun. Os descontos, segundo ele, vão até 70% e a expectativa é aumentar em 2% o faturamento real ante o mesmo evento de 2001.As vendas neste mês não deslancharam e estão semelhantes às registradas em julho de 2001, segundo o gerente-geral do Iguatemi. Ele observa que, pelo terceiro mês consecutivo não há crescimento real, descontada a inflação, na comparação com o ano anterior. "Não esperamos expressivos aumentos de vendas até as eleições", diz ele, destacando as incertezas que rondam o mercado.Segundo Sahyoun, nem mesmo a redução em meio ponto porcentual dos juros básicos nesta semana deverá impulsionar as vendas. "Neste ano não teremos euforia no comércio."

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