UANDERSON FERNANDES / ESTADÃO
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Shymura sobre Previdência: 'Reforma é fundamental para reverter déficit primário'

O diretor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV falou durante seminário promovido em parceria com o Estado, para analisar os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2019 | 10h18

RIO - A reforma da Previdência terá um impasse expressivo, por tocar num assunto sensível à população, mas é fundamental para reverter a tendência de crescimento do déficit primário do governo

A declaração foi dada por Luiz Guilherme Schymura, diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, durante seminário promovido em parceria com o Estado, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 12, para analisar os 100 primeiros dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"Nenhuma reforma da Previdência em nenhum lugar do mundo foi fácil", lembrou Schymura, acrescentando que as mudanças precisam ser feitas por conta de gastos materiais que interessam diretamente à população. 

O diretor do Ibre/FGV ressalta que o País tem uma dívida que chega a 80% do Produto Interno Bruto (PIB), o que ele considera um patamar elevado para um País emergente, embora não seja ainda "dramático". No entanto, a grande preocupação é com o problema estrutural do déficit primário do governo, já que tendência é de crescimento. "É difícil traçar qualquer cenário que o déficit não cresça de forma expressiva nos próximos anos", alertou. 

Schymura lembrou ainda outros desafios enfrentados pelo governo, como o cenário de baixa empregabilidade e a necessidade de um forte ajuste nos serviços de segurança pública, além dos sistemas de saúde e educação precisando de uma atenção especial.

"Os 100 primeiros dias começam a dar uma ideia de para onde as coisas estão indo, as dificuldades que o governo encontra, um momento oportuno para refletirmos sobre o que aconteceu e, sobretudo, o que está por vir", concluiu Schymura.

Para João Caminoto, diretor de jornalismo do O Estado de S. Paulo, os ataques à imprensa praticados de forma recorrente por integrantes e aliados do governo pesam negativamente no balanço dos três primeiros meses da gestão de Bolsonaro.

"Uma coisa que precisamos condenar nesses primeiros cem dias são os ataques à imprensa de forma indiscriminada, através de fake news, através de profissionais da imprensa. É um balanço extremamente negativo para o governo", declarou Caminoto, no painel de abertura do evento. "Esperamos que haja reflexão e reversão desse comportamento extremamente condenável", completou.

Estadão e FGV

Analisar os 100 primeiros dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). É esta a proposta do evento que acontece nesta sexta-feira, 12, no Rio de Janeiro. O debate contará com pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), convidados e jornalistas do Estado. Confira a programação completa.

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