Siderurgia e celulose em crescimento

Especialistas apontam que os resultados das companhias de siderurgia tendem a estabilizar-se ou subir moderadamente, enquanto os números das empresas de papel e celulose devem manter o crescimento. A justificativa para essa expectativa está atrelada ao comportamento do preço internacional das commodities - matérias-primas e produtos não industrializados - com as quais essas indústrias trabalham.Os dois setores estão apresentando significativo crescimento de receita em 2000, pois o preço das duas matérias-primas mostraram uma elevação expressiva em relação ao ano passado. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por exemplo, mostrou aumento de 20,72% na receita no primeiro semestre de 2000, que atingiu R$ 1,573 bilhão. No mesmo período, o faturamento da Gerdau subiu 88%, para R$ 3 bilhões. No segmento de papel e celulose, um dos destaques foi a Aracruz, que faturou R$ 639,250 milhões, uma alta de 55,43%. A receita da Votorantim Celulose e Papel subiu 38,6%, para R$ 678,880 milhões. Na opinião do analista Márcio Lins, do Banco Pactual, a tendência de alta no preço da celulose é mais forte do que no valor do aço. O principal motivo, segundo ele, é que a demanda internacional pela celulose continuará aquecida e um equilíbrio com a oferta só deve ocorrer por volta de 2002, quando novas unidades produtivas entrarão em operação. O consultor especialista no setor de celulose, Carlos Bifulco, ressaltou que a demanda mundial está passando pelo seu auge. Nas previsões de Bifulco, a celulose ainda deve subir. Um dos balizadores das projeções para o preço da matéria-prima é o mercado futuro. Hoje, o preço da fibra longa está em aproximadamente US$ 710,00 por tonelada. Os contratos futuros com vencimento em setembro estão sendo negociados a US$ 759,75 por tonelada. Preço do aço está próximo está próximo ao patamar históricoO especialista Fábio Silveira, da Tendências Consultoria, afirmou que o preço internacional da placa de aço já se aproximou do patamar médio histórico e que não há espaço para aumentos expressivos. Atualmente, o preço da placa de aço na América Latina está em cerca de US$ 230,00 por tonelada, valor superior ao preço médio de US$ 170,00 por tonelada em 1999. Segundo Silveira, os valores atingidos em 1995, quando a placa chegou a custar US$ 290,00 por tonelada, não devem se repetir. Entretanto, lembrou, muitas siderúrgicas nacionais, principalmente aquelas focadas no mercado doméstico, ainda não repassaram integralmente o aumento aos preços internacionais. Essa defasagem irá sustentar o crescimento por um certo período, afirmou.Esse cenário é o pano de fundo para as perspectivas do analista Marcus Peixoto, do CSFB Garantia. Na opinião dele, os resultados das companhias de papel e celulose devem continuar melhorando e as siderúrgicas caminham para a estabilidade dos números, com uma possível redução para os próximos trimestres.Ele destacou que as empresas de aço voltadas para o mercado interno estão mais protegidas, por isso possuem maior potencial de crescimento. Além disso, lembrou, algumas dessas empresas já estão investindo em um melhor mix de vendas e agregando valor ao produto.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2000 | 14h10

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