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Siderúrgica alemã poderá ser a parceria da CSN

A siderúrgica alemã ThyssenKrupp é uma das candidatas para uma futura parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), após anúncio feito hoje do rompimento do acordo de fusão com a anglo-holandesa Corus. Segundo o economista e professor da Universidade Federal de Uberlândia, Germano Mendes de Paula, especialista em siderurgia, uma associação na Europa deve ser a opção da CSN."Nem sei se a Thyssen teria interesse no momento, mas caso o caminho pretendido pela CSN for de novo uma associação com uma grande empresa, é natural que as atenções se voltem para a Europa", disse.A ThyssenKrupp já tem com a CSN uma parceria, na qual toma parte dos aços básicos e processados da companhia para produzir laminados de alta qualidade, destinados a cliente na América do Sul.ReestruturaçãoO economista lembrou que o mercado fala há muito tempo de uma reestruturação no setor siderúrgico que contemple empresas sediadas no Brasil, como Usiminas, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e CSN.Na opinião dele, qualquer operação seria complexa, levando-se em consideração os interesses não convergentes dos acionistas dessas empresas. "Mas uma fusão entre essas empresas não está descartada", afirmou.Fusão naturalPara Mendes de Paula a tendência de fusão entre siderúrgicas é natural. "Com a estagnação de demanda ao longo do tempo, as empresas têm cada vez mais buscado reduzir seus custos através de processos de fusão e aquisição. Essa não é uma tendência apenas local, mas mundial", disse.Para ele, o Brasil está adiantado nesse processo. O especialista citou a Companhia Belgo-Mineira e a Acesita, que fazem parte do maior grupo siderúrgico do mundo, a Arcelor, e a Gerdau, engajada num processo de internacionalização há muitos anos. Também acompanharam essa tendência a Aços Villares, que atualmente faz parte do grupo espanhol Sidenor e a Vallourec & Mannesmann, que integra o grupo homônimo europeu.SurpresaO economista ficou surpreso com o fim do processo de fusão entre CSN e Corus, apesar de achar que essa alternativa não fosse impossível. "Desde quando a intenção de fazer a fusão foi anunciada foram levantados vários obstáculos para que ela viesse a se concretizar", disse. "Vários deles se encontravam mais na economia brasileira, como necessidade de autorização do BNDES e a posição dos minoritários, mas de uma forma geral é surpreendente que ela não tenha sido concretizada".Ele lembrou que a Corus, resultado da fusão entre a British Steel e a holandesa Hoogovens, é a sexta maior siderúrgica mundial em termos de produção.MotivosMendes de Paula preferiu não arriscar quais seriam os verdadeiros motivos do fim da fusão, mas disse que as justificativas dadas pelas duas empresas são razoáveis. Segundo anúncio da Corus, feito em Londres, a decisão foi tomada porque a empresa estava com dificuldades em conseguir financiamento para concretizar o processo. Além disso, pesaram incertezas na economia mundial.Na opinião do especialista, o fim do processo não pode ser creditado ao BNDES. "O BNDES fez o papel que lhe cabe dentro da sua posição de credor, ou seja, tentar assegurar que os seus recebíveis sejam garantidos. Mas até onde eu sei o BNDES nunca disse não ao processo", afirmou.AçõesMendes de Paula disse que não acredita que o fim da fusão possa beneficiar as ações da CSN. "Os preços das ações das duas empresas caíram quando foi anunciada a fusão e igualmente as ações da Corus hoje, com o anúncio do fim do negócio", afirmou.Segundo ele, as pessoas tendem a acreditar que pela margem lucro da CSN ser maior que a margem de lucro da Corus, o fim da fusão seja benéfico para a siderúrgica brasileira, mas por outro lado, a CSN tem um endividamento relativamente elevado e vai procurar uma solução nessa direção.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 15h29

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