Siderúrgicas afetadas pela queda de exportação

Uma nova limitação na importação de aço brasileiro pelos Estados Unidos pode não trazer impacto significativo no resultado financeiro das siderúrgicas nacionais este ano, mas preocupa pelos possíveis desdobramentos.Nesta semana, o presidente George W. Bush anunciou a intenção de reduzir o excesso de oferta de aço no mercado mundial e limitar as importações nos EUA. A Confederação de Indústrias de Ferro e Aço da Europa (Eurofer) pretende adotar medidas semelhantes. A intenção do órgão europeu seria proteger o mercado de um eventual aumento das exportações brasileiras para a região. Com o fechamento do mercado americano, a tendência natural seria as empresas nacionais desviarem as produções para Europa ou Ásia."A medida não afeta no curto prazo, mas preocupa pelo desenrolar da questão", avalia a analista do BES Securities, Cristiane Viana. "Se isso se confirmar, a situação será crítica para o Brasil." A única siderúrgica brasileira a ser beneficiada pela medida americana seria a Gerdau, que tem uma fábrica nos Estados Unidos, a AmeriSteel. "A redução na entrada de produtos brasileiros vai aumentar a procura por aço da subsidiária da Gerdau nos Estados Unidos", explicou o analista do UBS Warburg, Edmo Chagas.Empresas mais prejudicadasOs dois especialistas apontam como os maiores prejudicados pela medida a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Usiminas e a Cosipa. Essas companhias destinam entre 15% e 20% da produção para a exportação.Do total exportado pela CSN no ano passado, 24% foi direcionado para o Nafta, sendo que os Estados Unidos representou o principal mercado.Apesar de grande exportadora, com 92% da produção voltada para o mercado internacional, a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) não deve ser muito afetada se os Estados Unidos cumprirem a ameaça de restringir a entrada de aço brasileiro no País. Chagas explicou que a CST é especializada na produção de placas, insumo básico para outros produtos siderúrgicos. As companhias americanas, segundo ele, são grandes importadoras de placas e não devem interromper esse fornecimento, pois assim teriam problemas para continuar mantendo a produção.

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