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Siderúrgicas ajustam produção para atender demanda

A siderúrgicas do País estão sendo obrigadas a reprogramar a produção para conseguir atender a retomada de pedidos de setores que consomem aço. O quadro foi dado pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). O objetivo dos "fortes reajustes" é afastar o risco de desabastecimento do mercado. A retomada de pedidos ocorre em ritmo mais acelerado quanto à capacidade de atendimento das siderúrgicas, que assumiram compromissos de exportação.O IBS analisa que as expectativas de vendas de clientes da siderurgia foram revertidas. "Neste novo cenário, muitas empresas consumidoras buscaram, rapidamente, reavaliar e ampliar suas compras, infelizmente, em ritmo incompatível com as condições de operação e com o planejamento de vendas das usinas siderúrgicas", daí a necessidade da reprogramação, diz comunicado da entidade.O objetivo dos ajustes é "assegurar o abastecimento interno, sem rupturas com os contratos firmados com clientes externos". Uma fonte ligada às siderúrgicas explicou que, em virtude de a demanda estar desaquecida em meados do ano, sem perspectiva de reação, as usinas apostaram nos contratos de exportações, aproveitando o câmbio favorável.Para o IBS, a reversão de expectativas dos consumidores de aço também estaria sendo favorecida pela desvalorização cambial, "que beneficiou, também, a exportação de bens intensivos em aço". Além das críticas ligadas ao risco eventual de desabastecimento, as siderúrgicas vem sendo acusadas de praticar aumentos constantes nos preços, por exemplo, pelas montadoras de automóveis.Como outras montadoras, a PSA Peugeot Citroën foi surpreendida pelas propostas de aumento de preço. O diretor de compras para o Mercosul da PSA Peugeot-Citröen, Luc Jeanneney, explica que o abastecimento da empresa não foi afetado, mas confirma que os aumentos têm acontecido. Ele avalia que não há uma explicação razoável para os reajustes, já que a maioria dos custos das siderúrgicas é em moeda local, em não em dólar."A indústria vem sofrendo pressões de aumento de custo, pela desvalorização cambial e pelos aumentos dos preços administrados", ponderou o presidente do IBS, José Armando Campos. Quanto ao abastecimento, o executivo explica que a indústria siderúrgica não tem flexibilidade para se ajustar a mudanças brutas no planejamento de vendas, mas os pedidos vem sendo atendidos. "É um descompasso, que é transitório, pela impossiblidade de ajustar rapidamente as programações de venda", afirmou.DesabastecimentoApesar da inesperada retomada de demanda, segundo o IBS, "não há qualquer perspectiva de desabastecimento do mercado". A entidade informou, ainda, que a reprogramação das usinas vem sendo reforçada pelo começo de operação de algumas unidades de produção. Até outubro, a produção de aço cresceu 10,4% e deverá chegar a 29,6 milhões de toneladas, em 2002.O instituto do aço defendeu-se das críticas de que estaria privilegiando as vendas externas do produto, argumentando que as exportações são importantes para as siderúrgicas e geram saldos anuais da ordem de US$ 2,5 bilhões. Segundo o IBS, as vendas externas foram aumentadas para "preservar o uso da capacidade instalada e equacionar problemas imprevistos de falta de linhas de crédito para importação de carvão e compromissos em moeda estrangeira".VendasO presidente do IBS, José Armando Campos, disse que as vendas internas fecharam outubro em 772 mil toneladas, mesmo patamar de meses do primeiro semestre, antes da reprogramação para baixo das compras de consumidores de aço. Entre julho e setembro, houve redução da demanda e as siderúrgicas redirecionaram parte de sua produção para o exterior.Hoje, os clientes da siderurgia estão retomando seu nível de encomendas ao setor de aço, mas a indústria siderúrgica não tem a mesma flexibilidade para ajustar "mudanças bruscas de planejamento de vendas". "É um descompasso, que é transitório, pela impossiblidade de ajustar rapidamente as programações de venda", afirmou. Segundo Campos, os pedidos estão sendo atendidos, na medida do possível, e não há previsão de desabastecimento do mercado doméstico.A participação das exportações sobre o total vendido pelo setor siderúrgico está em 42% de janeiro a outubro deste ano, um recorde histórico. No ano passado, o peso das vendas externas foi de 33%. Das vendas de 22,6 milhões de toneladas realizadas este ano, 9,5 milhões seguiram para o exterior.A fatia poderá encolher ligeiramente entre os meses de novembro e dezembro, por conta do aumento da demanda de setores consumidores de aço, em especial o automotivo. Apesar disso, Campos avalia que o peso relativo das vendas externas fechará 2002 acima do ano passado.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 19h44

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