Siderúrgicas argentinas e brasileiras buscam mercado externo

Diante dos problemas econômicos em casa, muitas companhias siderúrgicas argentinas e brasileiras, como a CSN e a Siderar SA, têm aumentado suas vendas no mercado externo. Elas obtêm vantagens com a desvalorização das moedas locais e o alto preço do aço nos mercados internacionais. Apesar de em muitos casos isso não ser suficiente para evitar que seus lucros deslizem para o vermelho, a estratégia mantém as receitas à tona, enquanto muitos outros setores da economia sofrem perdas maiores. "As siderúrgicas estão se voltando para a exportação para manterem níveis de produção total", disse Mario Pierry, analista do JP Morgan. A economia argentina, já no quinto ano de recessão, deverá se contrair cerca de 15% este ano. O Brasil não deverá crescer mais de 1%, à medida que investidores temem o resultado incerto das eleições presidenciais de outubro e estão assustados diante da pesada carga de dívidas do País. Em meio à crise econômica, os dois países têm visto suas moedas se desvalorizarem significativamente ante o dólar. Desde que a Argentina permitiu que o peso flutuasse em janeiro, um mês após a moratória da maior parte de sua dívida pública de US$ 141 bilhões, a moeda já perdeu cerca de 70% de seu valor. O real já perdeu quase um quarto de seu valor este ano. Apesar de a desvalorização tornar difícil o financiamento para as empresas com grande quantidade de dívidas denominadas em dólar, a competitividade dos preços dos produtos argentinos e brasileiros nos mercados estrangeiros cresceu consideravelmente. Mesmo com o medo dos investidores acerca de um declínio econômico global, os mercados estrangeiros são considerados uma fonte de demanda mais estável do que os clientes na Argentina e Brasil, onde a disponibilidade de crédito diminuiu significativamente. ?É muito benéfico para as companhias o acesso à moeda forte", disse Silvina Aldeco-Martinez, analista da Standard & Poor´s em Buenos Aires.

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