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Siderúrgicas brasileiras esperam margens melhores em 2011

Empresas contam com a reativação da demanda internacional e com a realização de obras de infraestrutura no País

Chiara Quintão, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

As siderúrgicas brasileiras precisarão contar com melhora do cenário internacional e com a realização efetiva dos projetos de infraestrutura para que haja incremento na demanda, redução dos estoques e aumento dos preços em 2011.

Com essas premissas convergindo para um ambiente mais favorável, o setor poderá melhorar as margens, que encolheram neste ano em função do avanço de custos com matérias-primas e dos descontos concedidos aos preços do aço.

O mercado espera que os descontos sobre os preços domésticos sejam mantidos pelo menos nos primeiros meses de 2011. "As condições externas precisam ser mais favoráveis, e a demanda por aço se fortalecer", afirma o analista da Modal Asset Eduardo Roche.

"É necessário haver uma recuperação melhor das economias americana e europeia. Um aumento dos preços no exterior e o consumo dos estoques abririam espaço para altas no mercado interno", diz o analista da Socopa Marcelo Varejão.

A demanda por aço continua sendo puxada pelos emergentes China, Índia, Rússia e Brasil.

Por aqui, o consumo de aço deve ser impulsionado pelas obras da Copa de 2014, pelas Olimpíadas de 2016, além do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pelo "Minha Casa, Minha Vida", pelos setores de óleo e gás (com destaque para o pré-sal) e pela indústria naval. O aumento da demanda vai depender do ritmo com que os novos projetos de infraestrutura sairão do papel.

Durante o ano, a Usiminas deixou claro que a demanda por chapas grossas de aço estava aquém do esperado. Recentemente, porém, o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, afirmou que tem começado a haver mais demanda pelo produto, por parte dos setores de óleo e gás.

Em 2010, a indústria automotiva, linha branca e construção civil puxaram o consumo interno de aço, setores que também devem se mostrar relevantes na demanda pelo insumo em 2011.

Importações. Em um contexto de excesso de aço bruto no mercado mundial e do real mais valorizado, o aço importado tornou-se um novo competidor de peso no mercado interno que as siderúrgicas nacionais passaram a ter de enfrentar. "A importação é um novo player que existe no mercado brasileiro", define o presidente da Usiminas.

Conforme estimativa do Instituto Aço Brasil (IABr), as importações de aço chegarão, este ano, ao recorde de 5,9 milhões de toneladas.

O IABr projeta que o consumo aparente de aço, que inclui vendas internas e importações, também será recorde, no total de 26,7 milhões, com expansão de 44% ante o ano passado.

O volume de aço trazido do mercado internacional abasteceu boa parte do consumo aparente adicional em 2010, segundo o presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes.

"Esperamos que haja refreada das importações especulativas. Muita gente apostou que ganharia, pois acreditou que os preços do aço estourariam com a mudança do sistema de precificação do minério", diz Lopes.

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