Siderúrgicas já demitiram 14 mil

Número de demitidos em cinco meses, em razão da crise, equivale a 11,7% da força de trabalho do setor

Alessandra Saraiva, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

A crise já causou a demissão de 11,7% da força de trabalho na indústria siderúrgica brasileira em um período de cinco meses, conforme dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), levantados a pedido do Estado. Em setembro, mês do agravamento da crise, o setor contava com 119.458 mil trabalhadores, ante 105.473 mil de fevereiro.O vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, admite que o setor vive um cenário nunca antes visto, com 6 dos 14 altos-fornos do País parados por causa do forte recuo na demanda internacional. O cenário do emprego é coerente com os dados do nível de utilização da capacidade instalada (nuci) apurados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O levantamento mostra que o índice do segmento de ferro e aços primários e semiacabados atingiu 60,4% em março, o menor desde janeiro de 1993. Esse índice mostrou pequena melhora a partir de abril, com taxa de 64,1%, mas ainda está muito aquém dos níveis do período pré-crise. Segundo o coordenador técnico de Sondagens da Indústria do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Jorge Braga, o desempenho de todo segmento ficou na faixa dos 60% este ano. No ano passado, o menor nível mensal foi de 75,7%, em dezembro. Esta semana, a MMX, do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, retomou a operação de sua mina de minério de ferro em Corumbá (MS), paralisada durante cinco meses em razão da queda na demanda por produtos siderúrgicos. Mas a retomada não impediu a empresa de suspender, por tempo indeterminado, as operações da unidade de metálicos na região, além de demitir 326 pessoas que trabalhavam nesse setor. A empresa informou que os demais empreendimentos do grupo seguem curso normal e não está havendo ajuste de pessoal. ?SEM RUMO?O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Campo Grande-MS (Stimmmes), Davi de Pinho, mostrou-se pessimista quanto à possível readmissão dos trabalhadores. Ele acompanhou as negociações da EBX com os funcionários de Corumbá e elogiou a atitude da companhia por ter mantido durante cinco meses salários e benefícios dos trabalhadores, antes de demiti-los oficialmente. "Infelizmente o mercado na nossa área, na siderurgia, foi afetado pela crise e está nesse rumo, sem conseguir exportar. A empresa não conseguiu segurar os trabalhadores. Não temos como brigar com a empresa", concluiu Pinho, acrescentando que acredita numa recuperação lenta e gradual do mercado. A MMX não foi a única grande companhia a dispensar trabalhadores na área. Na primeira quinzena de janeiro, a Gerdau demitiu em sua unidade de produção de aços longos, no município de Sapucaia do Sul, a 19 quilômetros de Porto Alegre (RS). A empresa não forneceu o número de demitidos. Apenas informou ter desligado colaboradores para adaptar a produção à menor demanda por aço, como, por exemplo, antecipação de férias e paradas para manutenção. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Leopoldo e Sapucaia, Jorge Correa, disse que a Gerdau demitiu de 150 a 160 pessoas. Para ele, uma possível recuperação na demanda do setor poderia vir do mercado doméstico, alavancada pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Mas, por enquanto, não há nada de novo", disse. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) teria demitido 1.142 pessoas de dezembro até hoje, segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Edmilson Alvarenga. Ele espera uma melhora na demanda do mercado a partir do segundo semestre. A CSN informou que não comenta as demissões. NÚMEROS119.458 era o número de pessoas empregadas no setor siderúrgico brasileiro em setembro do ano passado.105.407 era o número de pessoas empregadas no setor em fevereiro deste ano. 75,7% era o índice de utilização da capacidade instalada do setor siderúrgico em dezembro do ano passado.64,1% foi o índiceapurado pela FGV em abril, depois de chegar a 60,4% em março.

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